Empresas chinesas ampliaram sua presença no mercado global de tecnologia de consumo e passaram a superar marcas ocidentais em segmentos como câmeras de ação, veículos elétricos e aspiradores robóticos, segundo reportagem publicada pelo g1 com base em material da Deutsche Welle.
O avanço é exemplificado pela disputa entre a americana GoPro e as chinesas DJI e Insta360. A GoPro, que chegou a vender cerca de 6,6 milhões de câmeras em 2015, perdeu espaço enquanto as concorrentes chinesas passaram a concentrar mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis, de acordo com os dados citados na reportagem.
A mudança também alcança outros setores. Montadoras como BYD e Xpeng venderam quase dois terços dos carros elétricos comercializados no ano passado, enquanto fabricantes chineses dominam o mercado global de aspiradores robóticos e avançam em áreas como óculos inteligentes e dispositivos conectados.
Especialistas ouvidos pela DW atribuem o desempenho a fatores como a forte concorrência interna, a integração das cadeias de suprimentos, a automação industrial, o uso de inteligência artificial na manufatura e a capacidade de lançar produtos rapidamente. Shenzhen, em particular, é apontada como um dos principais centros de produção e desenvolvimento de eletrônicos do mundo.
O crescimento, porém, ocorre em meio a preocupações sobre privacidade, segurança de dados e possível influência estatal. Uma pesquisa citada pela reportagem indica que mais de 90% dos europeus desconfiam de empresas chinesas de tecnologia, enquanto cerca de 80% manifestam desconfiança em relação às companhias americanas.
Governos dos Estados Unidos e de países europeus vêm adotando tarifas, restrições comerciais e exigências adicionais para empresas chinesas. A reportagem afirma que essas medidas podem estimular a instalação de fábricas em outros países e levar as marcas chinesas a disputar principalmente o segmento premium, no qual a confiança do consumidor tem peso maior.
Para analistas ouvidos pela DW, empresas ocidentais de menor porte precisarão investir em nichos específicos, criar diferenciais próprios ou estabelecer parcerias com companhias chinesas. A velocidade de resposta dos reguladores também é apontada como um fator que pode influenciar a capacidade de competição entre os dois mercados.
Fonte: g1