Ir para o conteúdo

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

POLÍTICA

Escritório de Flávio Bolsonaro soma R$ 13,7 milhões em notas fiscais

Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026.

Compartilhe
WhatsApp

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu notas fiscais que somam pelo menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo levantamento do UOL confirmado pelo GLOBO. A análise considerou 62 documentos fiscais emitidos pela banca.

O escritório funciona na casa onde Flávio mora, em Brasília, e é administrado à distância por uma funcionária que vive na periferia da capital. As notas indicam pagamentos direcionados a contas mantidas no Santander e no Banco de Brasília (BRB).

Uma conta do Santander identificada em um dos documentos é a mesma que, segundo a Polícia Federal, teria vínculos com Flávio e o advogado Willer Tomaz. Os dois negam ter compartilhado uma conta bancária.

Entre os clientes identificados, o maior é o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, que tem como sócio Edvaldo Nilo de Almeida, nomeado em 2022 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética Pública da Presidência.

A banca de Flávio emitiu duas notas de R$ 2 milhões para o escritório, em agosto e outubro de 2025. Os documentos descrevem os serviços como "assessoria jurídica" e não detalham processos ou atividades realizadas.

Edvaldo Nilo afirmou ao UOL que os valores fazem parte de um contrato firmado em abril de 2025 e negou irregularidades. Em nota ao GLOBO, o escritório de Flávio disse que os serviços foram prestados conjuntamente a clientes privados, sem recursos públicos ou participação de órgãos governamentais, e que os pagamentos ocorreram em 6 de agosto e 21 de outubro de 2025.

Levantamento do GLOBO identificou ao menos 18 processos públicos em que a banca aparece como parte, nas áreas criminal, civil e empresarial. O Estatuto da OAB permite que parlamentares exerçam a advocacia, mas proíbe sua atuação em processos que tenham a União ou órgãos públicos como parte, além de restringir trabalhos para concessionárias de serviços públicos.

Em um dos casos, Flávio atua com Willer Tomaz em um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) relacionado ao controle de uma indústria de balas e pirulitos. Em outro, apresentou em 2025 um pedido de habeas corpus em favor de dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins.

Os registros da Receita Federal apontam Letícia Caetano dos Reis como administradora do escritório. Ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso sob suspeita de envolvimento em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo a Polícia Federal. A defesa dele afirma que Alexandre apenas exerce sua profissão e não participou de ilícitos.

O GLOBO informou que Letícia trabalha em home office e não quis comentar sua atuação na banca. Flávio também não se manifestou sobre o assunto e afirma que não divulga a lista de clientes por causa do sigilo profissional.

Fonte: O GLOBO

Leia também