O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu notas fiscais que somam ao menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, em Brasília. O levantamento considera 62 documentos analisados pelo UOL e confirmado pelo GLOBO.
Os pagamentos identificados foram direcionados a contas do escritório no Santander e no Banco de Brasília (BRB). Uma conta do Santander aparece vinculada, segundo a Polícia Federal, a Flávio e ao advogado Willer Tomaz; os dois negam ter compartilhado uma conta bancária.
Entre os clientes identificados, o maior é o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, cujo sócio Edvaldo Nilo de Almeida foi nomeado por Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética Pública da Presidência em 2022. A banca emitiu duas notas de R$ 2 milhões, em agosto e outubro de 2025, por serviços descritos como “assessoria jurídica”.
Edvaldo Nilo afirmou que os valores estavam previstos em contrato firmado em abril de 2025 e negou irregularidades. Em nota, o escritório de Flávio disse que os serviços foram prestados em conjunto a clientes privados, sem recursos públicos ou participação de órgãos públicos, e que os pagamentos ocorreram em 6 de agosto e 21 de outubro de 2025.
O GLOBO identificou ao menos 18 processos públicos em que a banca aparece como parte, nas áreas criminal, civil e empresarial. Entre eles estão casos no Superior Tribunal de Justiça envolvendo uma disputa societária e um pedido de habeas corpus para ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins.
Flávio também aparece como advogado em processos no Supremo Tribunal Federal, incluindo a execução penal de seu pai, Jair Bolsonaro, e uma queixa-crime apresentada contra o ex-ministro Fernando Haddad. O Estatuto da Advocacia permite que parlamentares exerçam a profissão, mas proíbe a atuação em processos que envolvam a União ou órgãos públicos, além de entidades e empresas concessionárias de serviço público.
Registros da Receita Federal apontam Letícia Caetano dos Reis como administradora do escritório. Ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso sob suspeita de envolvimento em fraudes no INSS; a defesa dele afirma que Alexandre apenas exerce sua profissão e não participa de ilícitos.
O escritório funciona na casa de Flávio, em Brasília, enquanto Letícia trabalha à distância. Procurados, Flávio e Letícia não se manifestaram sobre a rotina administrativa da banca.
Fonte: O GLOBO