O corpo de Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, será velado e enterrado em São Paulo no sábado (24), após o brasileiro morrer na Turquia depois de ser detido em um centro de migração. A família questiona as circunstâncias da morte e cobra esclarecimentos das autoridades dos dois países.
O velório será realizado das 12h às 16h, na Igreja Sal da Terra, na Vila Romana, na Zona Oeste da capital. O sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério da Lapa.
Natural do Rio Grande do Norte, Lucas trabalhava como programador e morava havia sete anos na Europa. Segundo familiares, ele estava a passeio na Turquia quando se envolveu em uma discussão de cunho religioso, teve o rosto cortado e procurou as autoridades locais para relatar o episódio.
De acordo com a família, o brasileiro foi levado a um centro de detenção de migrantes em Esmirna, na costa oeste da Turquia. O último contato com os parentes ocorreu em 8 de outubro, quando Lucas informou que estava detido e seria deportado para o Brasil.
A mãe dele esperou pelo brasileiro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, mas foi informada de que ele não havia embarcado. Posteriormente, a ex-namorada recebeu um e-mail informando que Lucas havia sido encontrado morto em um quarto de hotel.
O Consulado-Geral do Brasil em Istambul confirmou a morte à Polícia Civil de São Paulo, segundo registro feito no 7º Distrito Policial da Lapa. Os familiares, porém, afirmam ter recebido versões diferentes sobre o local da morte: uma delas indicaria o hotel, enquanto outra apontaria que Lucas teria morrido dentro do centro de detenção.
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio do consulado e presta assistência à família. O Itamaraty afirmou também que não tem prerrogativa para divulgar informações sobre medidas adotadas pelas autoridades turcas e que preserva detalhes de casos individuais por razões de privacidade.
Segundo o boletim de ocorrência, uma eventual investigação sobre homicídio ocorrido fora do Brasil cabe, em princípio, às autoridades turcas. O documento prevê o encaminhamento do caso para avaliação de possíveis providências, inclusive por meio de cooperação internacional.
Fonte: g1