A Polícia Federal apontou, em relatório de investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro, vínculos financeiros, empresariais e pessoais entre o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o advogado Willer Tomaz. O documento cita conta bancária conjunta, viagens em jato executivo, fotos de momentos de lazer e o uso de um aplicativo que destrói mensagens.
Segundo a PF, Flávio estava cadastrado como usuário master da conta da Alcazar Holding, empresa controlada por Tomaz. Uma troca de e-mails analisada pelos investigadores indica que a exclusão do acesso do senador foi solicitada em 22 de maio de 2025.
Para os investigadores, a participação na conta, somada a outros elementos do inquérito, sustenta a hipótese de uma relação econômica ou societária de fato entre os dois. Flávio e Tomaz negam manter relação comercial ou financeira.
O relatório também aponta que a Cathedral, outra empresa controlada por Tomaz e sediada no exterior, teria custeado ou operacionalizado viagens dos dois e de familiares. Os documentos citam reservas em jatos executivos nos trechos entre Cascais, em Portugal, e Nice, na França, em 23 de maio de 2025, e entre Lisboa e Nice, em 11 de abril daquele ano.
A PF afirma que os deslocamentos ocorreram em um Challenger 350, com capacidade para até dez passageiros. Os dados foram obtidos a partir da extração de mensagens, e-mails e imagens do celular de Tomaz, que também continha fotos dos dois em festas, jantares e confraternizações.
Os investigadores identificaram ainda Flávio entre os contatos favoritos de Tomaz no aplicativo Confide. A ferramenta permite o envio de mensagens temporárias, que são destruídas após a leitura, e possui mecanismos contra capturas de tela.
A investigação começou no Rio Grande do Sul, em um inquérito sobre suspeitas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas. Após a identificação de menções a Flávio, o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Alexandre de Moraes é o relator.
O relatório cita ao menos cinco viagens internacionais feitas em conjunto no primeiro semestre de 2025, incluindo um safári na África do Sul e deslocamentos para Portugal, França e Estados Unidos. Em agosto daquele ano, segundo a investigação, Tomaz também cedeu um apartamento em São Paulo para uso de Flávio durante a campanha.
Tomaz afirmou que é amigo de Flávio e de sua família e que as viagens ocorreram por causa dessa convivência, sem pagamento ou contrapartida. O advogado negou a existência de relação comercial ou financeira, disse que nunca dividiu conta bancária com o senador e classificou o uso de mensagens temporárias como um recurso legítimo para preservar o sigilo profissional.
Em nota divulgada anteriormente, Flávio afirmou que mantém apenas uma relação de amizade com Tomaz e negou ter sido usuário master de conta vinculada ao advogado ou a empresas dele. O senador também acusou as informações de serem divulgadas no período eleitoral com o objetivo de espalhar notícias falsas.
Fonte: O GLOBO