O Ministério Público do Trabalho (MPT) apura uma denúncia de suposto assédio eleitoral envolvendo a Prefeitura de São Paulo e entidades conveniadas à administração municipal. O órgão confirmou nesta terça-feira (20) o recebimento da denúncia, mas não divulgou detalhes do procedimento.
A apuração ocorre após vídeos e áudios obtidos pelo g1 mostrarem o prefeito Ricardo Nunes (MDB) pedindo a servidores comissionados apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Nos registros, Nunes orienta os participantes a divulgar a campanha, usar adesivos, participar de atos e mobilizar eleitores.
Em outro trecho, o prefeito recomenda a criação de listas de transmissão no WhatsApp para convidar pessoas para uma manifestação realizada no domingo (18), na Avenida Paulista. Nunes também critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, e pede empenho para a vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, marcado para domingo (25).
O MPT informou que a denúncia envolve relações de trabalho na prefeitura e em entidades conveniadas. Segundo o órgão, os fatos ainda estão em apuração e, por enquanto, não há outras informações a serem divulgadas.
Uma funcionária de uma creche administrada pela ONG Pleno Viver, entidade conveniada à Prefeitura, relatou ao g1 que a direção teria pressionado empregados a participar da manifestação. A trabalhadora, que não quis ser identificada por medo de represálias, afirmou que funcionários foram chamados individualmente a assinar uma lista de participação e que seriam oferecidas folgas em troca da presença.
A funcionária disse ainda que os trabalhadores precisariam custear o próprio deslocamento e que convocações semelhantes já teriam ocorrido em eventos políticos anteriores. As alegações fazem parte da denúncia recebida pelo MPT e ainda não foram confirmadas pelo órgão.
Fonte: g1