A Justiça de São Paulo aceitou na segunda-feira (19) a denúncia do Ministério Público contra a soldado da Polícia Militar Yasmin Cursino Ferreira, acusada de matar Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital. Com a decisão, a policial se tornou ré por homicídio triplamente qualificado.
Segundo a acusação, o crime ocorreu na madrugada de 3 de abril, após uma discussão entre policiais e Thawanna e o companheiro dela. A promotoria afirma que Yasmin disparou uma vez com uma arma calibre .40 contra a região abdominal da mulher, que estava desarmada.
O Ministério Público sustenta que não havia risco iminente que justificasse o uso de força letal. As qualificadoras apontadas são motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com a denúncia, Thawanna permaneceu ferida no local por mais de 30 minutos antes de ser socorrida. Para os promotores, a demora no atendimento fez com que a vítima permanecesse consciente e em sofrimento, o que caracterizaria o emprego de meio cruel.
A Promotoria também pediu que a Justiça fixe indenização mínima de R$ 1 milhão pelos danos causados aos familiares da vítima. Thawanna era mãe de cinco filhos, com idades entre 5 e 13 anos, e trabalhava como ajudante-geral.
A Corregedoria da PM concluiu que houve intenção de matar e apontou indícios de homicídio doloso qualificado. O relatório afirmou não haver elementos que configurassem legítima defesa e classificou o uso da força como inadequado, desnecessário e desproporcional.
A versão apresentada pelos policiais era de que Thawanna teria dado um tapa no rosto de Yasmin e avançado contra ela. Testemunhas e imagens da câmera corporal de outro agente, porém, apresentaram divergências em relação aos depoimentos, segundo a investigação. A soldado não usava câmera corporal durante a ocorrência.
As imagens mostram que o companheiro de Thawanna apenas esbarrou no retrovisor da viatura, de acordo com a apuração jornalística sobre o caso. O policial que dirigia o veículo, Weden Silva Soares, também foi investigado por possível descumprimento de procedimento de abordagem, mas o relatório não identificou indícios de crime militar ou comum contra ele.
Yasmin está afastada das atividades desde o episódio. A ação penal seguirá na Justiça, e a condição de réu não representa condenação definitiva.
Fonte: G1