A Justiça aceitou nesta segunda-feira (19) a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra a soldado Yasmin Cursino Ferreira, acusada de matar Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital. Com a decisão, a policial militar se tornou ré por homicídio triplamente qualificado.
Segundo a acusação, o disparo ocorreu na madrugada de 3 de abril, após uma discussão entre o casal e os policiais. Thawanna foi atingida no abdômen por um tiro de calibre .40 e morreu posteriormente no Hospital Tiradentes.
O Ministério Público sustenta que a vítima estava desarmada e que não havia situação que justificasse o uso de força letal. As qualificadoras apontadas na denúncia são motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Shaefer, Thawanna permaneceu ferida no local por mais de 30 minutos antes de receber atendimento. A Promotoria também pediu que a Justiça fixe indenização mínima de R$ 1 milhão aos familiares da vítima, valor que ainda não foi concedido.
A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que havia indícios de homicídio doloso qualificado e que não foram identificados elementos caracterizadores de legítima defesa. O relatório apontou que o disparo foi inadequado, desnecessário e desproporcional, segundo a investigação militar.
A versão apresentada pelos policiais afirma que Thawanna teria agredido Yasmin com um tapa no rosto e avançado contra ela. Imagens da câmera corporal de outro agente, porém, foram interpretadas pela investigação como incompatíveis com parte dos relatos, embora a câmera da soldado não estivesse em uso no momento da ocorrência.
A vítima caminhava com o companheiro quando o braço dele esbarrou no retrovisor da viatura. O policial que dirigia o veículo, Weden Silva Soares, também foi investigado por possível transgressão disciplinar relacionada ao procedimento de abordagem, mas o relatório não apontou indícios de crime militar ou comum contra ele.
Yasmin está afastada das atividades desde o caso. A ação penal seguirá na Justiça, que ainda deverá analisar as provas e ouvir as partes antes de decidir se a policial será levada a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Fonte: G1