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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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JUSTIÇA

Justiça torna ré PM acusada de matar mulher em abordagem em SP

Justiça aceita denúncia contra PM acusada de matar mulher durante abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo.

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A Justiça aceitou na segunda-feira (19) a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a soldado Yasmin Cursino Ferreira, acusada de matar Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital. Com a decisão, a policial passou à condição de ré por homicídio triplamente qualificado.

Segundo a denúncia, o crime ocorreu na madrugada de 3 de abril, após uma discussão entre policiais e Thawanna e o companheiro dela. A acusação afirma que Yasmin atirou uma vez com uma pistola calibre .40 contra a mulher, que estava desarmada, atingindo a região do abdômen.

O MP-SP sustenta que não havia risco iminente que justificasse o uso de força letal e aponta como qualificadoras o motivo fútil, o meio cruel e o recurso que dificultou a defesa da vítima. Os promotores também pediram a fixação de indenização mínima de R$ 1 milhão aos familiares de Thawanna.

De acordo com a acusação, a vítima permaneceu ferida por mais de 30 minutos à espera de atendimento e morreu posteriormente em decorrência do ferimento. O Ministério Público considera que a demora no socorro provocou sofrimento prolongado e caracteriza o emprego de meio cruel.

A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que havia indícios de intenção de matar e que não foram identificados elementos suficientes para caracterizar legítima defesa. O relatório do Inquérito Policial Militar também apontou inadequação, falta de necessidade e desproporcionalidade no uso da força.

A versão apresentada pelos policiais era de que Thawanna teria dado um tapa no rosto de Yasmin e avançado contra ela. Segundo testemunho citado na investigação, porém, a discussão teria começado pela policial, que teria agredido a vítima antes de receber o tapa e efetuado o disparo sem dar ordem verbal.

Imagens da câmera corporal de outro policial registraram a abordagem e, segundo a apuração, não mostram Thawanna encostando no retrovisor da viatura ou iniciando agressões antes do tiro. A soldado Yasmin não usava câmera corporal durante a ocorrência, e os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais após o caso.

Thawanna era ajudante-geral e mãe de cinco filhos. O laudo do Instituto Médico Legal apontou hemorragia interna aguda como causa da morte.

Fonte: g1

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