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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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JUSTIÇA

Justiça de São Paulo torna ré PM acusada de matar mulher em abordagem

Justiça aceita denúncia contra PM acusada de matar mulher durante abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo.

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A Justiça de São Paulo aceitou nesta segunda-feira (19) a denúncia do Ministério Público contra a soldado da Polícia Militar Yasmin Cursino Ferreira, acusada de matar Thawanna Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital. Com a decisão, a policial se tornou ré por homicídio triplamente qualificado.

Segundo a denúncia, o crime ocorreu na madrugada de 3 de abril, após uma discussão entre policiais e Thawanna e o companheiro dela. A acusação afirma que Yasmin disparou uma vez com uma pistola calibre .40 contra o abdômen da vítima, que estava desarmada.

O Ministério Público sustenta que não havia risco iminente que justificasse o uso de força letal. Para os promotores, o crime teria sido cometido por motivo fútil, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A Promotoria afirma ainda que Thawanna permaneceu ferida no local por mais de 30 minutos antes de receber atendimento. Os promotores pediram que a Justiça fixe indenização mínima de R$ 1 milhão para reparar os danos causados aos familiares da vítima.

A Corregedoria da Polícia Militar concluiu que havia indícios de homicídio doloso qualificado e que não foram identificados elementos que caracterizassem legítima defesa. O relatório também apontou inadequação, falta de necessidade e desproporcionalidade no uso da força, além de possíveis transgressões disciplinares relacionadas à abordagem.

A versão apresentada pelos policiais durante a investigação foi a de que Thawanna teria dado um tapa no rosto de Yasmin e avançado contra ela. Uma testemunha, porém, relatou que a discussão começou pela policial e que o disparo foi feito depois que Yasmin recuou, sem dar ordem verbal.

Imagens da câmera corporal de outro policial registraram a abordagem e, segundo a acusação, não mostram Thawanna iniciando agressões antes do disparo. Yasmin não usava câmera corporal durante a ocorrência. A policial está afastada das atividades operacionais, e o caso também é investigado na esfera militar.

A aceitação da denúncia dá início à ação penal, mas não representa condenação. A responsabilidade criminal da policial ainda será analisada no decorrer do processo, com apresentação das provas e das versões da acusação e da defesa.

Fonte: G1

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