Um tribunal do Quênia declarou culpados nesta segunda-feira (19) o autoproclamado pastor Paul Nthenge Mackenzie e outros 28 réus pela morte de 191 fiéis, incluindo 190 crianças, na floresta de Shakahola, perto de Malindi.
Mackenzie e os demais acusados haviam negado as acusações em 2024. Segundo a promotoria, o guru comandou um jejum extremo ao afirmar que os seguidores conheceriam Jesus após morrerem de fome.
O julgamento ouviu mais de 120 testemunhas sobre os acontecimentos registrados entre 2021 e 2023 no complexo de 325 hectares onde Mackenzie pregava. Autópsias indicaram que a maioria das vítimas morreu de fome, enquanto outras teriam sido estranguladas, espancadas ou asfixiadas.
A promotoria afirmou que havia uma “hierarquia estruturada de morte”, na qual as crianças morreriam primeiro, seguidas por adolescentes, mulheres e homens. O juiz disse estar convencido de que os acusados eram culpados pelas mortes.
Centenas de corpos foram encontrados em valas comuns após a prisão de Mackenzie, em abril de 2023. A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia informou em 2024 que o número total de mortos chegava a 429, embora algumas vítimas ainda não tenham sido identificadas.
Familiares acompanharam a audiência em Mombaça. Francis Wanje, de 62 anos, que perdeu oito parentes, disse esperar uma sentença que sirva de lição para impedir que casos semelhantes voltem a acontecer.
Fonte: O Globo