Uma comissão internacional de investigação criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU acusou Israel, nesta segunda-feira (26), de cometer o crime de extermínio contra palestinos na Cisjordânia, território ocupado desde 1967. O grupo também atribuiu às forças israelenses crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
A comissão afirmou que existe um "ataque generalizado e sistemático" contra a população civil palestina na Cisjordânia. Entre os crimes citados estão tortura, estupro, outras formas de violência sexual e perseguição por motivos de nacionalidade, raça e origem étnica.
Segundo o relatório, os ataques contra civis são resultado de uma política de Estado que inclui a violência praticada por colonos israelenses. O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, disse que assassinatos, danos deliberados e destruição de casas fazem parte de uma estratégia para deslocar palestinos e impor condições de vida inabitáveis.
O documento também reiterou a acusação de que autoridades israelenses continuam cometendo atos genocidas em Gaza, com a intenção de destruir total ou parcialmente a população palestina. A comissão pediu o fim imediato da ocupação do território palestino e a retirada de colonos e assentamentos.
A comissão foi criada em 2021 e não fala em nome da ONU. Em relatório publicado em setembro de 2025, concluiu pela primeira vez que Israel havia cometido genocídio na guerra iniciada após o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023.
Israel rejeitou as conclusões e classificou o relatório como "propaganda". Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o documento busca enfraquecer o direito de Israel de se defender, deslegitimar o Estado judeu e legitimar o terrorismo jihadista.
O relatório também acusou a Autoridade Nacional Palestina de praticar "violência de Estado" contra integrantes de grupos armados rivais e opositores civis e políticos. A investigação afirmou que esses casos não são submetidos a apurações rápidas, eficazes e imparciais.
Na mesma segunda-feira, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou para o risco de uma possível limpeza étnica em Hebron. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também declarou estar profundamente alarmado com as ações israelenses na Cisjordânia.
O ataque do Hamas em outubro de 2023 deixou 1.221 mortos, segundo contagem baseada em números oficiais israelenses. A ofensiva israelense de retaliação deslocou quase toda a população de Gaza e matou mais de 74.200 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas.
Fonte: O Globo