Meredith Whittaker, presidente da Signal Foundation, afirmou em entrevista ao programa Global Women, da BBC, que o principal risco da inteligência artificial está no uso descuidado da tecnologia, e não em um suposto “apocalipse” provocado por máquinas contra a humanidade.
Whittaker disse que não há evidências científicas para previsões de que a IA possa se voltar autonomamente contra os seres humanos. Segundo ela, sistemas que produzem informações falsas podem influenciar decisões graves, inclusive em áreas como segurança e defesa.
Como exemplo, a executiva citou uma reportagem da CNN sobre um chatbot usado por serviços de inteligência dos Estados Unidos que teria inventado informações a respeito de um navio chinês supostamente ligado ao transporte de material nuclear. De acordo com Whittaker, o episódio quase provocou uma resposta militar contra a China.
Para Whittaker, a possibilidade de sistemas apresentarem dados incorretos como se fossem confiáveis é mais concreta do que cenários de ficção científica sobre máquinas conscientes. Ela também relacionou esse risco ao Projeto Maven, contrato firmado entre o Google e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas capazes de identificar alvos para ataques com drones.
A executiva ganhou projeção em 2017 ao se posicionar contra o projeto e, no ano seguinte, ajudou a organizar um protesto que reuniu cerca de 20 mil funcionários do Google. A empresa deixou o contrato, posteriormente assumido pela Palantir.
Whittaker também defendeu a manutenção da criptografia de ponta a ponta em aplicativos de mensagens. Ela afirmou que o Signal poderia deixar de operar em um país caso fosse obrigado a enfraquecer a proteção das conversas ou a permitir vigilância sobre usuários.
Governos como o do Reino Unido defendem ampliar o acesso a comunicações criptografadas como parte de medidas de proteção de crianças. Organizações de defesa da privacidade e dos direitos das mulheres, porém, argumentam que a tecnologia pode proteger pessoas contra violência doméstica, vigilância estatal e perseguições políticas.
O Signal está total ou parcialmente bloqueado em países como Rússia, China e Irã. O aplicativo é administrado pela Signal Foundation e tem uma base de usuários estimada entre 40 milhões e 70 milhões, número inferior ao do WhatsApp.
Fonte: g1