A Anthropic, responsável pelo assistente de inteligência artificial Claude, anunciou que pretende destinar 5% de suas ações a um fundo de benefício público voltado a iniciativas de interesse coletivo, incluindo medidas para reduzir os impactos da IA no mercado de trabalho.
O fundo ainda depende da aprovação dos acionistas e será estruturado como uma sociedade de responsabilidade limitada controlada integralmente pela empresa. Segundo a Anthropic, outros 2% das ações poderão ser adicionados a cada aumento de 50% no valor da companhia, conforme decisão do conselho de administração.
A empresa afirmou que os recursos não serão usados para lobby ou doações políticas nos Estados Unidos ou no exterior. O fundo poderá financiar ações relacionadas aos efeitos da automação sobre o emprego, em um momento de expansão do uso de agentes de IA capazes de substituir tarefas realizadas por trabalhadores.
A iniciativa foi anunciada enquanto a Anthropic se prepara para uma possível oferta pública inicial de ações, que pode começar a ser promovida formalmente na semana de 9 de novembro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas no início de outubro.
O anúncio também ocorre em meio a preocupações sobre a segurança da inteligência artificial, incluindo riscos de invasões de sistemas e perdas de empregos. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, afirmou que a tecnologia pode provocar um avanço gradual com forte impacto sobre postos de baixa remuneração.
Em setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu na Casa Branca líderes do setor de tecnologia, entre eles o diretor-presidente da Anthropic, Dario Amodei. Segundo o conteúdo divulgado, empresas de IA concordaram em contratar auditores externos para avaliar riscos de segurança e adotar controles internos mais rigorosos.
Ao longo do ano, a Anthropic também se envolveu em um embate com o governo norte-americano sobre o uso de sua tecnologia pelo Pentágono e por outros possíveis usuários. A companhia foi classificada como risco para a cadeia de suprimentos por tentar limitar algumas aplicações militares de seus sistemas.
Fonte: O Globo