O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (18) que a França está "em chamas" e "destroçada" pela imigração, após protestos contra o custo de vida reunirem centenas de milhares de pessoas e deixarem danos em várias cidades do país.
Em publicação na Truth Social, Trump pediu que o governo francês endureça as regras migratórias. "Fechem as fronteiras e retomem o controle, antes que seja tarde demais!", escreveu.
Os atos de sábado reuniram entre 550 mil pessoas, segundo as autoridades, e 800 mil, de acordo com a Confederação Geral do Trabalho (CGT). Em Paris, a polícia contabilizou cerca de 110 mil manifestantes e registrou 855 detenções.
As manifestações tiveram marchas pacíficas, mas também confrontos, saques, barricadas incendiadas e ataques a prédios públicos. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, mais de 1.800 pessoas foram presas e mais de 500 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos.
Em Limoges, um incêndio destruiu grande parte da prefeitura, um prédio do século XIX. Em Marselha, mascarados invadiram a sede do governo local e derrubaram um busto de Marianne; em Lyon, um escritório de turismo foi incendiado.
Em Paris, vitrines de lojas como Ralph Lauren, Gucci e Versace foram quebradas. Alexandre Bompard, presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, estimou que cerca de 1,5 mil estabelecimentos foram danificados em todo o país, com prejuízos de várias centenas de milhões de euros.
Nuñez atribuiu a violência a manifestantes de "extrema esquerda" e a criminosos que teriam saqueado e vandalizado prédios. Líderes sindicais e manifestantes, porém, relataram agressões policiais e uso de gás lacrimogêneo, canhões de água e cassetetes.
A escalada aumentou a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que faria um pronunciamento à nação neste domingo às 20h no horário local, 15h em Brasília. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu responsabilizou o partido de esquerda radical França Insubmissa pelos atos violentos, enquanto o líder da legenda, Jean-Luc Mélenchon, acusou o governo de ser responsável pelo caos.
O vice-presidente americano, JD Vance, havia feito comentários semelhantes no sábado. Em publicação no X, ele afirmou que liberais ocidentais "importaram o terceiro mundo" para a França e outros países e disse esperar que o país interrompa a violência antes que mais monumentos sejam queimados.
Fonte: O Globo