Protestos liderados por jovens ocuparam ruas da França, Bélgica, Itália, Portugal e Albânia no sábado (17), com reivindicações contra o custo de vida, a precarização dos serviços públicos, o preço da moradia e denúncias de corrupção. Na França, mais de 1.800 pessoas foram presas e prédios públicos foram incendiados.
O maior ato ocorreu na França, onde entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram das manifestações, segundo o governo e a central sindical CGT, respectivamente. A mobilização reuniu o movimento dos Coletes Amarelos e estudantes que protestam desde setembro por melhores condições nas escolas.
Embora a maior parte das marchas tenha sido pacífica, houve saques e ataques a prefeituras. Em Limoges, um incêndio destruiu grande parte do prédio histórico da prefeitura.
Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, mais de 500 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos. Cerca de 1.500 lojas foram danificadas, e o governo atribuiu a violência à ultraesquerda e ao partido França Insubmissa.
Em Bruxelas, na Bélgica, algumas centenas de pessoas, em sua maioria jovens, protestaram contra o aumento dos custos da educação e reformas que, segundo os manifestantes, podem dificultar o acesso ao ensino superior. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água; também houve atos em Liège.
Na Itália, manifestações estudantis contra o custo de vida, os baixos salários e a insegurança no emprego terminaram em confrontos em Bolonha, Milão e Turim. Em Roma, dezenas de milhares participaram de um ato sindical pacífico, durante o qual foi anunciada uma greve geral para 20 de novembro.
Em Lisboa, centenas de manifestantes montaram tendas na Praça do Rossio após uma marcha contra o preço da moradia e o custo de vida. Os preços das habitações em Portugal subiram 124% entre 2015 e 2024, cerca do dobro da média da União Europeia, segundo dados oficiais.
Na Albânia, estudantes e outros manifestantes chegaram ao sexto dia consecutivo de confrontos neste domingo (18), em Tirana. Eles atiraram pedras e coquetéis molotov contra a tropa de choque que protegia o Ministério da Educação; a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões de água.
Os protestos albaneses começaram em junho e passaram a exigir a saída do primeiro-ministro Edi Rama após denúncias de corrupção ligadas à administração. Rama nega ter conhecimento de irregularidades e atribui os atos à oposição e a supostos atores estrangeiros.
Na Tunísia, mais de 3 mil pessoas marcharam em Túnis no sábado contra a alta do custo de vida e o retrocesso nas liberdades. O ato foi convocado pela central sindical UGTT e por partidos de oposição.
Fonte: O Globo