O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou neste domingo (18) a violência registrada nos protestos contra o custo de vida realizados no sábado (17) em várias cidades do país. Segundo as autoridades, mais de 1,8 mil pessoas foram presas e mais de 500 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos.
Em discurso televisionado após uma reunião de Gabinete no Palácio do Eliseu, Macron afirmou que "nada justifica, nada explica, nada desculpa" os atos de vandalismo e saque. Ele diferenciou os grupos violentos das centenas de milhares de pessoas que participaram pacificamente das manifestações.
Em Paris, vitrines de lojas foram quebradas e fachadas amanheceram pichadas. A polícia contabilizou cerca de 110 mil manifestantes na capital e informou que 855 pessoas foram detidas, número classificado pela corporação como recorde; mais de 500 permaneciam presas neste domingo, incluindo 171 menores de idade.
Os atos reuniram entre 550 mil pessoas, segundo as autoridades, e 800 mil, de acordo com a central sindical CGT. Um manifestante morreu após sofrer um ataque cardíaco durante a marcha em Paris, informou a polícia local.
Houve registros de incêndios e depredações em outras cidades. A prefeitura de Limoges ficou parcialmente destruída por um incêndio, enquanto mascarados invadiram a sede do governo local em Marselha e um escritório de turismo foi incendiado em Lyon.
Alexandre Bompard, presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, estimou que cerca de 1,5 mil lojas foram danificadas e que os prejuízos chegaram a várias centenas de milhões de euros. Líderes sindicais e manifestantes, por outro lado, relataram agressões policiais e uso de gás lacrimogêneo e canhões de água durante os atos.
A crise também provocou uma disputa política. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os episódios de violência à "ultraesquerda" e responsabilizou o partido França Insubmissa, enquanto Jean-Luc Mélenchon acusou o governo de ser responsável pelo caos. A líder de extrema direita Marine Le Pen também culpou a ultraesquerda, e a vice-prefeita socialista de Paris acusou o Reagrupamento Nacional de alimentar as tensões.
Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon pediram uma reunião com Lecornu nos próximos dias. As mobilizações combinaram protestos estudantis, iniciados em setembro, com manifestações contra o custo de vida convocadas sob o lema "Amarelos e Jovens".
Fonte: O Globo