Os protestos contra o custo de vida na França deixaram quase 2 mil pessoas presas, mais de 500 agentes de segurança e bombeiros feridos e danos em lojas e prédios públicos após os confrontos de sábado, 17 de outubro de 2026.
Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, mais de 1.800 pessoas foram detidas em várias cidades. Em Paris, 855 manifestantes foram presos, número considerado recorde pela polícia, e mais de 500 continuavam detidos neste domingo (18), incluindo 171 menores.
As autoridades contabilizaram 550 mil participantes nos atos, enquanto a central sindical CGT estimou 800 mil. Na capital, vitrines de marcas como Ralph Lauren, Gucci e Versace foram quebradas, e lojas amanheceram com prejuízos; em todo o país, cerca de 1,5 mil estabelecimentos teriam sido danificados.
A prefeitura de Limoges, um prédio do século XIX, foi em grande parte destruída por um incêndio durante a madrugada. Em Marselha, manifestantes mascarados invadiram a sede do governo local, enquanto um escritório de turismo foi incendiado em Lyon.
Nuñez atribuiu a violência a integrantes da extrema esquerda e a criminosos que teriam saqueado e vandalizado prédios. Líderes sindicais e manifestantes contestaram a versão e relataram agressões policiais, além do uso de gás lacrimogêneo e canhões de água.
O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação às 20h no horário local, 15h em Brasília. Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon pediram uma reunião com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
A crise também intensificou a disputa política a seis meses da eleição presidencial. Lecornu responsabilizou o partido de esquerda radical França Insubmissa, enquanto seu líder, Jean-Luc Mélenchon, acusou o governo de provocar o caos; Marine Le Pen também atribuiu os distúrbios à extrema esquerda.
Fonte: O Globo