Os protestos contra o custo de vida deixaram mais de 1,8 mil presos e centenas de lojas e prédios públicos danificados na França após os confrontos de sábado, 17 de outubro. Mais de 500 policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Em Paris, vitrines de lojas foram quebradas, fachadas foram pichadas e caminhões recolheram escombros nas avenidas. A polícia informou que 855 pessoas foram detidas na capital, enquanto mais de 500 continuavam presas no domingo, incluindo 171 menores de idade.
Os atos reuniram entre 550 mil pessoas, segundo as autoridades, e 800 mil, de acordo com a central sindical CGT. Um manifestante morreu após sofrer um ataque cardíaco durante a marcha em Paris, informou a polícia local.
Em Limoges, um incêndio destruiu grande parte da prefeitura, um prédio do século XIX. Em Marselha, manifestantes mascarados invadiram a sede do governo local e derrubaram um busto de Marianne; em Lyon, um escritório de turismo foi incendiado.
Nuñez atribuiu a violência a integrantes da extrema esquerda e a criminosos que teriam saqueado e vandalizado prédios. Líderes sindicais e manifestantes, porém, relataram agressões policiais e o uso de gás lacrimogêneo e canhões de água durante os atos.
Segundo Alexandre Bompard, presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, cerca de 1,5 mil lojas foram danificadas no país, com prejuízos estimados em várias centenas de milhões de euros.
A violência também intensificou a disputa política a seis meses da eleição presidencial. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, responsabilizou o partido França Insubmissa, de esquerda radical, enquanto o líder da legenda, Jean-Luc Mélenchon, acusou o governo de provocar o caos; a líder da extrema direita, Marine Le Pen, também culpou a ultraesquerda.
O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação às 20h no horário local, 15h em Brasília. Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon pediram uma reunião com Lecornu para discutir os danos.
Fonte: O Globo