O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou neste domingo (18) a violência e os atos de vandalismo registrados nos protestos contra o custo de vida realizados no dia anterior em várias cidades do país. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 2,4 mil pessoas foram presas e mais de 1 mil policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos.
Em discurso televisionado após uma reunião de gabinete no Palácio do Eliseu, Macron afirmou que "nada justifica, nada explica, nada desculpa" as cenas de depredação e saques. Ele separou os grupos violentos das centenas de milhares de pessoas que participaram pacificamente das manifestações.
O presidente atribuiu os confrontos a grupos de extrema esquerda e a criminosos, afirmando que os responsáveis pelas destruições "pagarão" e responderão pelos atos. Macron também prometeu transparência na apuração da atuação das forças de segurança e disse que o governo tomará medidas em coordenação com os prefeitos.
As manifestações se tornaram um dos principais focos da disputa política francesa a seis meses das eleições presidenciais de 2027. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) estimou em 800 mil o número de participantes nos atos de sábado, enquanto o Ministério do Interior calculou 550 mil.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu acusou o partido França Insubmissa (LFI) de estimular a desconfiança na polícia e disse que os primeiros ataques contra agentes e prédios públicos foram cometidos por grupos de ultraesquerda. O líder da legenda, Jean-Luc Mélenchon, respondeu que Lecornu é "responsável pelo caos".
A líder do Reagrupamento Nacional (RN), Marine Le Pen, também responsabilizou a extrema esquerda pelos atos, mas afirmou que o governo de Macron está "esgotado, desorientado e sem fôlego". Jordan Bardella, principal aliado de Le Pen, classificou o discurso presidencial como "lamentável".
Grupos violentos voltaram a entrar em confronto com a polícia neste domingo, especialmente nas proximidades da Praça da República, em Paris. A polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral, enquanto manifestantes atiraram pedras e garrafas; confrontos também foram registrados em Lyon.
Em Paris, equipes de limpeza ainda removiam carros incendiados, vitrines quebradas e outros escombros. Segundo Alexandre Bompard, presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, cerca de 1,5 mil lojas foram danificadas em todo o país, com prejuízos estimados em várias centenas de milhões de euros.
Um incêndio destruiu grande parte da prefeitura de Limoges, prédio do século XIX, durante a madrugada. Cerca de 7 mil pessoas participaram de uma marcha na cidade neste domingo para protestar contra a destruição.
Fonte: O Globo