O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou neste domingo, 18 de outubro, a violência registrada nos protestos contra o custo de vida realizados no sábado em várias cidades do país. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 2,4 mil pessoas foram presas e mais de 1 mil policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos.
Em discurso transmitido pela televisão após uma reunião de gabinete no Palácio do Eliseu, Macron afirmou que “nada justifica” os atos de vandalismo e saques. O presidente separou os grupos violentos das centenas de milhares de pessoas que participaram pacificamente das manifestações.
As estimativas sobre o tamanho dos atos divergem. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) informou que 800 mil pessoas participaram dos protestos, enquanto o Ministério do Interior contabilizou 550 mil manifestantes.
Macron atribuiu a violência a grupos de extrema esquerda e criminosos, afirmando que os responsáveis pelas depredações “pagarão” por seus atos. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu também responsabilizou o partido França Insubmissa (LFI), enquanto o líder da sigla, Jean-Luc Mélenchon, acusou o governo de ser responsável pelo caos.
A líder do Reagrupamento Nacional (RN), Marine Le Pen, culpou a extrema esquerda pelos distúrbios e criticou a administração Macron, que classificou como “esgotada, desorientada e sem fôlego”. A vice-prefeita socialista de Paris, Lamia El Aaraje, afirmou que a cidade registrou um nível de violência “nunca visto”.
As forças de segurança voltaram a entrar em confronto com grupos violentos neste domingo. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral na região da Praça da República, onde manifestantes responderam com garrafas e pedras; em Lyon, agentes impediram ataques a uma loja de roupas de luxo.
A violência deixou vitrines quebradas, carros incendiados e escombros nas ruas. Cerca de 1,5 mil lojas foram danificadas em todo o país, segundo Alexandre Bompard, presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, que estimou prejuízos de várias centenas de milhões de euros.
Macron prometeu transparência na apuração da atuação das forças de segurança e disse que o governo tomará decisões em coordenação com os prefeitos para proteger as cidades. Em Limoges, um incêndio destruiu grande parte do prédio histórico da prefeitura durante a madrugada.
Fonte: O Globo