O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou neste domingo (18) a violência registrada nos protestos contra o alto custo de vida realizados no país no sábado (17). Segundo o Ministério do Interior, cerca de 2,4 mil pessoas foram presas e mais de mil policiais, gendarmes e bombeiros ficaram feridos.
"Nada justifica, nada explica, nada desculpa", afirmou Macron em discurso televisionado após uma reunião de Gabinete no Palácio do Eliseu. O presidente separou os grupos envolvidos em vandalismo e saques dos manifestantes pacíficos, que, segundo estimativas, reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas em todo o país.
Macron atribuiu os atos violentos a grupos de extrema esquerda e afirmou que os responsáveis pelas destruições e pelos saques "pagarão" e "responderão" pelos atos. Ele também prometeu transparência na apuração da atuação das forças de segurança e determinou que o governo avalie falhas na coleta de informações e na antecipação dos distúrbios.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu acusou o partido França Insubmissa (LFI) de alimentar a desconfiança em relação à polícia e responsabilizou grupos de ultraesquerda pelos primeiros ataques contra agentes e prédios públicos. O líder da sigla, Jean-Luc Mélenchon, respondeu que Lecornu é "responsável pelo caos", mas condenou os saques e a depredação do patrimônio público.
A líder do Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, também culpou a extrema esquerda pelos atos, mas afirmou que o governo Macron está "esgotado, desorientado e sem fôlego". Para ela, a crise representa uma ameaça à democracia.
Os confrontos continuaram no domingo em Paris e Lyon. Na Praça da República, na capital, a polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra pessoas reunidas em um ato não autorizado, enquanto manifestantes atiraram garrafas e pedras; em Lyon, agentes impediram ataques a uma loja de roupas de luxo.
A violência deixou vitrines quebradas, carros incendiados e escombros nas ruas de Paris. Cerca de 1,5 mil lojas foram danificadas em todo o país, segundo Alexandre Bompard, presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, que estimou prejuízos de várias centenas de milhões de euros.
Em Limoges, um incêndio destruiu grande parte da sede da prefeitura durante a madrugada. Cerca de 7 mil pessoas participaram de uma marcha na cidade neste domingo para protestar contra a devastação.
Fonte: O Globo