Flávio Bolsonaro defendeu o golpe de 1964 e o regime militar em um livro e em discursos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, segundo reportagem publicada por O Globo. As manifestações ocorreram entre 2004 e 2017, quando ele se preparava para disputar uma vaga no Senado.
Na obra Mito ou verdade, lançada em 2017, o senador classificou agentes da repressão como heróis nacionais e elogiou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado como torturador durante a ditadura.
Flávio também criticou a Comissão Nacional da Verdade, criada para investigar violações de direitos humanos cometidas no período, e questionou a versão histórica sobre a morte do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido após ser preso por agentes do regime.
Durante seus mandatos na Alerj, o filho de Jair Bolsonaro usou discursos para defender o regime militar e contestar a definição de 1964 como golpe. Em 2004, afirmou que houve avanços econômicos, sociais e políticos durante o período; em 2009, disse ter orgulho e agradecer aos militares.
Em 2010, Flávio afirmou que a esquerda insistia em dizer que houve um golpe militar. No ano seguinte, classificou a data como especial e declarou que era necessário combater essa interpretação.
O texto também relaciona a trajetória política de Flávio à atuação do pai na defesa do autoritarismo. Em 2014, quando o Ministério Público Federal reabriu o caso do atentado do Riocentro, Jair Bolsonaro acompanhou o depoimento de um militar investigado e voltou a atacar a Comissão da Verdade.
Flávio nasceu em 30 de abril de 1981, data do atentado do Riocentro, quando duas bombas foram levadas a um show no Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, a coincidência da data não implica responsabilidade pelo ataque, mas as posições políticas adotadas posteriormente são atribuídas às escolhas do senador na vida adulta.
Fonte: O Globo