O embaixador dos Estados Unidos, Andrew Puzder, alertou que empresas europeias podem sofrer uma retaliação "muito devastadora" se a União Europeia avançar com restrições a companhias americanas, como a SpaceX, em partes do mercado do bloco. A declaração foi dada ao Financial Times e divulgada em 18 de outubro.
Segundo o jornal, a Comissão Europeia avalia reservar parte do espectro usado por celulares para conexão direta com satélites a empresas europeias. A proposta pode limitar a atuação de companhias americanas e chinesas que oferecem esse serviço diretamente aos consumidores, incluindo a Starlink, rede de internet via satélite da SpaceX.
Questionado sobre uma possível reação de Washington, Puzder disse que as empresas europeias deveriam considerar esse risco. O diplomata mencionou a dimensão do mercado americano como um fator que poderia ampliar o impacto sobre as companhias do bloco.
A SpaceX criticou a proposta e, segundo o Financial Times, afirmou que as mudanças poderiam prejudicar a conectividade na Ucrânia. O serviço Starlink é usado no país para comunicações civis e militares desde a invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.
A iniciativa integra os esforços da União Europeia para fortalecer sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de empresas americanas em setores estratégicos. Autoridades europeias também demonstram preocupação com a dependência de fornecedores estrangeiros para operar infraestruturas críticas.
Puzder afirmou reconhecer o direito dos europeus de proteger informações governamentais sensíveis, mas criticou o uso de leis para favorecer empresas locais. Ele também questionou a aplicação da Lei dos Mercados Digitais, que busca limitar o poder das maiores empresas de tecnologia e ampliar a concorrência.
Segundo o embaixador, as medidas podem desestimular investimentos de empresas que a Europa pretende enfrentar. Puzder defendeu que Washington e Bruxelas cooperem para competir com a China no desenvolvimento de inteligência artificial.
A Comissão Europeia afirmou ao Financial Times que a proposta sobre o espectro pretende atrair novos participantes e diversificar os fornecedores do bloco, sem impedir a atuação de empresas de fora da União Europeia.
Fonte: O Globo