O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu nesta sexta-feira, em uma cúpula em Bruxelas, pelo menos € 70 bilhões adicionais da União Europeia para financiar a defesa e a resistência do país em 2027. O pedido ocorre em meio à deterioração das relações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à pressão para que os europeus ampliem o apoio a Kiev.
Segundo Zelensky, a guerra custará € 155 bilhões no próximo ano. Ele afirmou que os recursos serão necessários para a compra de armamentos, a defesa contra ataques russos e a manutenção da capacidade militar ucraniana.
A Ucrânia já recebeu a promessa de um empréstimo europeu de € 90 bilhões, aprovado em 2025, para financiar este ano e o próximo. Kiev, porém, diz que o valor não será suficiente diante da intensificação dos ataques, da maior demanda por drones e sistemas de defesa e do aumento das despesas militares.
Roksolana Pidlasa, presidente da comissão de Orçamento do Parlamento ucraniano, afirmou que os gastos militares cresceram mais de 17% nos primeiros oito meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Bombardeios russos contra instalações industriais, portos e rotas de exportação também afetaram a arrecadação do governo.
A Comissão Europeia foi instruída a apresentar, até o fim de novembro, alternativas para cobrir o déficit previsto para 2027, segundo fontes ouvidas pela Reuters. As opções incluem um novo empréstimo, a antecipação de recursos já comprometidos e o uso de ativos russos congelados.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que o bloco ainda avalia a possibilidade de contrair novas dívidas para financiar outro empréstimo. O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, afirmou que um novo financiamento europeu é a solução mais provável.
Entre as alternativas está o uso de cerca de € 210 bilhões em ativos soberanos russos congelados na União Europeia. A proposta enfrenta resistência da Bélgica, que alerta para riscos jurídicos e financeiros relacionados ao confisco de recursos de outro país.
As negociações ocorrem durante uma nova crise entre Zelensky e Trump. O governo americano suspendeu temporariamente sanções ao diesel russo e avalia aliviar restrições contra petroleiros da chamada frota fantasma, medidas criticadas por Kiev e por governos europeus.
Trump responsabilizou ataques ucranianos contra refinarias russas pelo aumento dos preços dos combustíveis e afirmou que era mais fácil lidar com o presidente russo, Vladimir Putin, do que com Zelensky. O ucraniano também criticou o possível aumento da receita russa com a flexibilização das sanções.
Em Bruxelas, líderes europeus defenderam a continuidade da ajuda à Ucrânia e das sanções contra Moscou. Nos bastidores, porém, governos enfrentam resistência política interna e dificuldades para conciliar o apoio a Kiev com as pressões sobre o orçamento, os preços da energia e o custo de vida.
Fonte: O Globo