O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu nesta sexta-feira (17), durante uma cúpula da União Europeia em Bruxelas, pelo menos € 70 bilhões adicionais para financiar a defesa do país em 2027. Segundo ele, o custo total da guerra no próximo ano deve chegar a € 155 bilhões.
O novo pedido ocorre em meio à deterioração das relações entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após Washington flexibilizar sanções sobre o diesel russo e considerar outras medidas de alívio a Moscou.
A Ucrânia já recebeu da União Europeia a aprovação de um empréstimo de € 90 bilhões, dividido entre 2026 e 2027. Kiev afirma, porém, que os recursos não serão suficientes diante da intensificação dos ataques russos, do aumento da demanda por drones e sistemas de defesa e da expansão das forças armadas.
As despesas militares ucranianas cresceram mais de 17% nos primeiros oito meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo Roksolana Pidlasa, presidente da comissão de Orçamento do Parlamento da Ucrânia. Ela afirmou que a guerra fica mais cara a cada ano devido à mudança nas táticas russas.
Autoridades europeias também avaliam se os recursos estão sendo utilizados de forma eficiente e se as necessidades financeiras foram superestimadas. Zelensky atribuiu parte do problema ao uso antecipado de verbas durante a gestão do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, que nega a acusação.
A Comissão Europeia foi instruída a apresentar, até o fim de novembro, alternativas para cobrir o déficit previsto para 2027. Entre as opções estão um novo empréstimo, a antecipação de recursos já comprometidos e o uso de ativos russos congelados.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que a dimensão das necessidades adicionais ficará mais clara nas próximas semanas. O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, afirmou que um novo empréstimo da União Europeia é a solução mais provável e defendeu uma decisão antes do fim do ano.
Os países europeus também discutem o uso de cerca de € 210 bilhões em ativos soberanos russos congelados no bloco, a maior parte mantida na Euroclear, na Bélgica. O governo belga resiste à medida por causa dos possíveis riscos jurídicos e financeiros do confisco.
As negociações ocorrem durante uma nova crise entre Zelensky e Trump. O presidente americano responsabilizou ataques ucranianos contra refinarias russas pelo aumento dos preços dos combustíveis e afirmou que é mais difícil lidar com Zelensky do que com o presidente russo, Vladimir Putin.
Em Bruxelas, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu a continuidade da ajuda à Ucrânia e das sanções contra Moscou. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o bloco prepara um 22º pacote de restrições contra a Rússia.
Fonte: O Globo