A família de Jose Hector Jimenez Mendoza acusa o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) de divulgar, no fim de semana anterior, uma fotografia do homem morto em 2017 como se fosse a de um suspeito vivo procurado em uma operação em Houston, no Texas.
A imagem mostrava Jose Mendoza-Cervantes, nome que os familiares associam a Jimenez Mendoza. A filha dele, Jamie Jimenez, disse ao The New York Times que reconheceu o pai no cartaz divulgado pelo Departamento de Segurança Interna e apresentou uma certidão de óbito mexicana e fotografias que, segundo o jornal, parecem retratar a mesma pessoa.
A certidão indica que Jimenez Mendoza tinha 43 anos quando morreu, em outubro de 2017, em Laredo, no Texas. Segundo a filha, ele caiu de um penhasco enquanto fugia de agentes de imigração perto da fronteira sul dos Estados Unidos.
A família afirma que ele usava nomes falsos, entre eles Jose Mendoza-Cervantes. Registros judiciais consultados pelo jornal apontaram que Jimenez Mendoza respondia a acusações semelhantes às atribuídas pelo ICE ao suspeito procurado, relacionadas a dirigir sob efeito de álcool e posse ilegal de arma de fogo.
Há registros públicos de várias pessoas com variações do nome Jose Mendoza-Cervantes no Texas, e as autoridades não esclareceram quem era o alvo da operação. Até quinta-feira, o ICE e o Departamento de Segurança Interna não haviam respondido aos questionamentos do The New York Times.
A operação também deixou gravemente ferido Miguel Parra Hernandez, trabalhador da construção civil de 48 anos. Segundo o ICE, o suspeito havia entrado no carro de Hernandez antes da abordagem, e os dois passageiros fugiram a pé.
Imagens de câmeras de vigilância parecem mostrar um agente atingindo Hernandez por trás com um SUV enquanto ele corria. O trabalhador sofreu ferimentos na perna, no quadril e no tornozelo, continua hospitalizado e deverá passar por várias cirurgias, segundo a família.
O promotor do condado de Harris, Sean Teare, e o departamento local do xerife investigam o caso como possível agressão agravada com arma letal. O ICE afirma que Hernandez correu para a frente de um dos veículos da agência, mas as imagens parecem mostrar o SUV mudando de direção para atingi-lo.
A família diz que Hernandez não conhecia o homem procurado e nunca havia sido abordado por agentes de imigração. Cesar Espinosa, diretor-executivo da organização FIEL, que auxilia os familiares, afirmou que o passageiro que fugiu não se parecia com o homem retratado no cartaz.
As autoridades ainda não esclareceram se a fotografia pertence de fato a um homem morto em 2017 nem quem era o passageiro que escapou. A investigação também deverá apurar as circunstâncias do atropelamento e eventual responsabilidade criminal do agente envolvido.
Fonte: O Globo