O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido a substituição do termo “inteligência artificial” por “superinteligência” em documentos oficiais americanos e, eventualmente, de outros países.
Durante um discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro, Trump afirmou que a expressão inteligência artificial daria a impressão de que a tecnologia é “falsa”. Antes de escolher “superinteligência”, ele publicou enquetes na rede Truth Social com alternativas como “inteligência superior”, “inteligência extrema” e “inteligência suprema”.
Até o momento, Trump não apresentou um mecanismo formal para alterar a nomenclatura nem indicou que empresas e pesquisadores do setor tenham aderido à proposta. Ele também disse que trataria como “inimigo” quem continuasse usando o termo inteligência artificial.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a iniciativa tem caráter mais político e promocional do que técnico. Anderson Soares, professor e fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, afirmou que a mudança não contribui para o desenvolvimento da tecnologia e pode funcionar como uma reação às discussões sobre os riscos e os limites da IA.
O conceito de inteligência artificial foi formalizado nos Estados Unidos em meados da década de 1950, a partir do trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester. A tecnologia passou a ser usada em aplicações como reconhecimento facial, sistemas de recomendação, veículos semiautônomos e assistentes digitais.
“Superinteligência” não é sinônimo técnico de toda inteligência artificial. O termo costuma ser associado a sistemas hipotéticos capazes de superar os seres humanos em uma ampla variedade de tarefas intelectuais, enquanto a chamada inteligência artificial geral descreve uma tecnologia com capacidade abrangente de raciocínio e execução de tarefas. Não há comprovação científica de que uma superinteligência já exista.
Fonte: g1