O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a defender a substituição do termo “inteligência artificial” por “superinteligência” em documentos oficiais americanos e afirmou, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, que espera que outros países adotem a nova expressão.
Antes de escolher “superinteligência”, Trump publicou enquetes na rede Truth Social com alternativas como “inteligência superior”, “inteligência extrema” e “inteligência suprema”. Ele também disse que consideraria inimigo quem continuasse usando o termo tradicional, sem apresentar um plano prático para implementar a mudança.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a proposta tem caráter mais político e de marketing do que científico. Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, afirmou que a mudança não contribui para o desenvolvimento da tecnologia e pode funcionar como uma reação às discussões sobre os riscos da IA.
Para pesquisadores, “inteligência artificial” é uma expressão consolidada há cerca de 70 anos. O termo foi associado ao trabalho de John McCarthy e outros pesquisadores nos Estados Unidos em 1955, em uma área que reunia matemática, engenharia e estatística para desenvolver máquinas capazes de realizar tarefas relacionadas ao raciocínio humano.
A proposta de Trump também foi relacionada por especialistas à disputa tecnológica entre países e ao desenvolvimento da chamada inteligência artificial geral, ou AGI. A sigla descreve sistemas capazes de executar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao humano, mas não há comprovação científica de que uma superinteligência desse tipo já exista.
Pesquisadores alertam ainda que o termo pode aumentar a apreensão do público. A inteligência artificial já é usada em ferramentas como reconhecimento facial, carros semiautônomos, câmeras de celulares e sistemas capazes de gerar textos, imagens, vídeos e músicas.
Fonte: g1