O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insiste em substituir o termo inteligência artificial por “superinteligência” em documentos oficiais do país e defende que outros governos adotem a mesma denominação.
Trump apresentou a proposta em discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, ao afirmar que a expressão inteligência artificial faria a tecnologia parecer “falsa”. Antes disso, publicou enquetes na rede Truth Social com alternativas como “inteligência superior”, “inteligência extrema” e “inteligência suprema”.
O presidente não explicou como a mudança seria implementada nem apresentou evidências de apoio da indústria de tecnologia. Em outra declaração, também afirmou que consideraria “inimigo” quem continuasse usando o termo inteligência artificial.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a iniciativa tem caráter político e de marketing, e não representa uma alteração científica na definição da tecnologia. Para Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, o conceito de inteligência ainda não possui uma definição precisa, mas a IA é associada à capacidade de máquinas executarem tarefas relacionadas à inteligência humana.
Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, afirmou que o termo “superinteligência” pode aumentar o receio do público diante de uma tecnologia que ainda é pouco compreendida. Segundo ele, a expressão pode transmitir a ideia de uma ameaça aos seres humanos.
O nome inteligência artificial foi formalizado nos Estados Unidos em 1955, em pesquisas associadas a John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester. Estudos sobre máquinas capazes de reproduzir aspectos do raciocínio humano, porém, já eram desenvolvidos nas décadas de 1940 e 1950 por pesquisadores como Alan Turing.
A inteligência artificial já é usada em ferramentas como reconhecimento facial, carros semiautônomos, drones, assistentes virtuais e câmeras de celulares. A partir de 2017, a inteligência artificial generativa ampliou a popularização da tecnologia com sistemas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e músicas.
O debate ocorre enquanto empresas e governos investem no desenvolvimento da chamada inteligência artificial geral, conceito que descreve sistemas capazes de realizar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao humano. Especialistas ressaltam, porém, que não há comprovação científica de que uma superinteligência já exista.
Fonte: g1