O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido a substituição do termo “inteligência artificial” por “superinteligência” em documentos oficiais americanos e, segundo ele, também em outros países. A proposta foi apresentada em discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro.
Trump afirmou que a expressão inteligência artificial dá a impressão de que a tecnologia é “falsa”. Antes de escolher “superinteligência”, o presidente publicou enquetes na rede social Truth Social com alternativas como “inteligência superior”, “inteligência extrema” e “inteligência suprema”.
O presidente também declarou que passaria a considerar um “inimigo” quem continuasse usando o termo inteligência artificial. Não foi apresentada, no entanto, uma medida concreta para alterar oficialmente a nomenclatura, nem houve indicação de que o setor de tecnologia tenha aderido à proposta.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a iniciativa tem caráter mais político e promocional do que técnico. Para Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, a mudança não contribui para o desenvolvimento da tecnologia e pode funcionar como uma reação política ao debate sobre os rumos da IA.
Professores de tecnologia também associaram a escolha do termo à disputa internacional pela liderança em inteligência artificial geral, conhecida pela sigla AGI. Essa tecnologia é descrita como capaz de executar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao humano, mas não há comprovação científica de que uma superinteligência já exista.
O termo inteligência artificial foi criado em meados dos anos 1950, em pesquisas que reuniam matemática, engenharia e estatística para desenvolver máquinas capazes de realizar tarefas associadas ao raciocínio humano. Desde então, a tecnologia passou a integrar serviços como reconhecimento facial, câmeras de celulares, veículos semiautônomos e assistentes virtuais.
A chamada inteligência artificial generativa ganhou maior visibilidade a partir de 2017 e impulsionou ferramentas capazes de produzir textos, imagens, vídeos e músicas. Especialistas avaliam que a adoção de “superinteligência” poderia aumentar o receio do público, que já demonstra preocupação com a possibilidade de a tecnologia superar a capacidade humana.
Fonte: g1