O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido a substituição do termo “inteligência artificial” por “superinteligência” em documentos oficiais americanos e, segundo ele, também em outros países. A proposta foi apresentada em discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2026, e reforçada em enquetes publicadas na rede social Truth Social.
Trump afirmou que a expressão inteligência artificial faz a tecnologia parecer “falsa” e chegou a dizer que trataria como “inimigo” quem insistisse no termo atual. O presidente não apresentou, porém, um plano para implementar a mudança nem indicou que empresas ou órgãos internacionais tenham aderido à ideia.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a iniciativa tem caráter político e de marketing, e não representa uma alteração científica na definição da tecnologia. Para Anderson Soares, fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, a proposta pode funcionar como um contragolpe político em meio às disputas sobre o desenvolvimento da IA.
Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, afirmou que o discurso de Trump parece buscar atenção. Segundo ele, o uso de “superinteligência” também pode aumentar o receio do público, porque sugere uma tecnologia superior aos seres humanos, enquanto muitas pessoas ainda tentam compreender aplicações básicas de inteligência artificial.
O pesquisador Allan Pscheidt relacionou a escolha do termo à disputa internacional pelo avanço tecnológico. Na avaliação dele, a referência à superinteligência pode ser uma forma de os Estados Unidos sinalizarem ambição de liderança na corrida pela chamada Inteligência Artificial Geral (AGI), ainda sem comprovação científica de que já exista uma tecnologia com esse nível de capacidade.
A expressão “inteligência artificial” foi criada em meados da década de 1950, em pesquisas que reuniam áreas como matemática, engenharia e estatística. O campo se expandiu de sistemas de reconhecimento facial e assistentes virtuais a ferramentas de IA generativa, como as que produzem textos, imagens, vídeos e músicas.
Fonte: g1