O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu no mês passado, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, que o termo inteligência artificial seja substituído por “superinteligência” em documentos americanos e, eventualmente, de outros países.
Trump argumentou que a expressão atual faz a tecnologia parecer “falsa”, mas não apresentou um plano para oficializar a mudança nem indicou apoio do setor de tecnologia. Antes de escolher “superinteligência”, ele realizou enquetes na rede Truth Social com alternativas como “inteligência superior”, “inteligência extrema” e “inteligência suprema”.
O presidente também afirmou que passaria a tratar como “inimigo” quem usasse inteligência artificial em vez do novo termo. Especialistas ouvidos pelo g1 avaliaram que a proposta tem caráter mais político e de marketing do que técnico ou científico.
Para Anderson Soares, fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, a mudança parece uma reação política ao debate sobre o desenvolvimento da tecnologia. Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco, afirmou que “superinteligência” pode aumentar o receio do público diante de sistemas que já enfrentam desconfiança.
O conceito de inteligência artificial foi formalizado nos Estados Unidos em meados da década de 1950, a partir do trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester. Desde então, a tecnologia passou a ser usada em aplicações como reconhecimento facial, veículos semiautônomos, drones, assistentes virtuais e câmeras de celulares.
Pesquisadores diferenciam a inteligência artificial atual da chamada inteligência artificial geral, conhecida pela sigla AGI, que descreve sistemas capazes de executar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao humano. Segundo os especialistas citados, não há comprovação científica de que uma superinteligência já exista.
Fonte: g1