O setor de panificação e confeitaria terminou 2025 com 46.216 empregos formais no estado do Rio de Janeiro, alta de 4,1% em relação ao ano anterior, segundo levantamento do Observatório Firjan. Apesar do avanço, empresas relatam dificuldade para contratar padeiros e confeiteiros experientes.
Na região de Caxias, que reúne Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Magé e Guapimirim, o setor registrou 3.678 vínculos formais, crescimento de 3,9% na comparação com 2024. Os cinco municípios somam 605 estabelecimentos de panificação e confeitaria.
De acordo com empresários ouvidos na reportagem, a escassez é maior entre profissionais que dominam processos produtivos, segurança dos alimentos e rotinas de padarias e confeitarias. Responsabilidade, organização, pontualidade e capacidade de trabalhar em equipe também estão entre os requisitos buscados.
Na Padaria Aliança, em Duque de Caxias, o sócio Rubens Souza afirma que a empresa, com mais de dez anos de atividade e cerca de 64 funcionários, enfrenta dificuldades para encontrar trabalhadores preparados. Quando o candidato ainda não reúne todas as habilidades técnicas, a disposição para aprender é considerada no processo de seleção.
Entre 2022 e 2025, os postos ligados à operação industrial e aos processos produtivos cresceram 30% no estado, enquanto o emprego total do setor avançou 6,4%, segundo a Firjan. Para Raphael Veríssimo, especialista em Estudos de Competitividade da entidade, os dados refletem uma atividade que exige profissionais capazes de operar equipamentos e lidar com processos mais complexos.
Uma das iniciativas para aproximar a formação das necessidades das empresas foi a inauguração, em outubro, da Escola de Panificação e Confeitaria da Firjan SENAI Caxias. O espaço pode atender até 80 alunos por dia e oferece 19 cursos, com previsão de formar até 300 profissionais por ano em áreas como panificação, confeitaria, chocolate, decoração de bolos e fermentação natural.
A formação técnica também aparece na trajetória de Joaquim Vicente Silva Alves, de 48 anos. Após fazer um curso de panificação no SENAI em 1995 e trabalhar em padarias e consultorias, ele ingressou na Bunge em 2004 e atualmente coordena Serviços e Atendimento ao Cliente da empresa.
Os salários variam conforme experiência, função, empregador e região. Dados do Indeed citados na reportagem indicavam, em setembro de 2026, remuneração-base média mensal de R$ 2.352 para padeiros e de R$ 2.445 para confeiteiros na cidade do Rio de Janeiro. Os valores foram calculados com base em salários informados na plataforma e anúncios de emprego e não representam necessariamente todo o estado.
Fonte: g1