Baleias-francas-austrais de diferentes idades estão sendo encontradas mortas nas praias da Península Valdés e do Golfo Nuevo, na província de Chubut, na Patagônia argentina. Cientistas investigam se o fenômeno El Niño contribuiu para a mortandade, mas também analisam a ação de uma bactéria e de toxinas associadas à maré vermelha.
Segundo o Instituto de Conservação de Baleias, citado pelo jornal argentino Clarín, o número de mortes pode superar o recorde registrado em 2012, quando 113 filhotes morreram. O censo aéreo realizado em 6 de setembro contabilizou 1.375 baleias, incluindo 409 filhotes, mas a contagem da mortandade ainda não foi divulgada.
A temporada da espécie se estende até novembro, e novas mortes podem ocorrer. Por isso, os pesquisadores aguardam o encerramento do período para consolidar os dados.
Equipes coordenadas pela pesquisadora Marcela Uhart, da Universidade da Califórnia, analisam amostras coletadas dos animais. Resultados preliminares identificaram a bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae em filhotes, microorganismo que pode provocar septicemia e falência múltipla de órgãos.
O especialista em gestão da vida selvagem Víctor Fratto afirmou ao Clarín que os estudos realizados até agora indicam a bactéria como causa das mortes dos filhotes. Nos animais jovens e adultos, porém, não foram observadas lesões cutâneas típicas da infecção, o que mantém outras hipóteses em análise.
Uma delas é a ingestão de toxinas produzidas por microalgas durante episódios de maré vermelha. As baleias costumam se alimentar nos golfos durante a primavera, antes de migrar para áreas do Atlântico Sul, e podem ingerir esses organismos quando estão presentes em altas concentrações.
Em 2022, 30 baleias morreram no Golfo Nuevo, e análises confirmaram toxinas associadas à intoxicação paralítica por marisco. Em 2024, outro episódio matou 71 animais, sendo 18 adultos e 53 filhotes.
Para o pesquisador Mariano Coscarella, do Laboratório de Mamíferos Marinhos do Centro de Estudos de Sistemas Marinhos, os dados podem indicar dois fenômenos distintos ocorrendo na mesma estação. Ele disse que a influência do El Niño não pode ser descartada nem confirmada sem evidências científicas e afirmou que ainda não há informações sobre os níveis atuais de biotoxinas no golfo.
Fonte: O Globo