O déficit orçamentário dos Estados Unidos alcançou US$ 1,99 trilhão no ano fiscal encerrado em setembro de 2026, segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro na sexta-feira, 16 de outubro. O valor representa alta de aproximadamente 12% em relação ao rombo de US$ 1,78 trilhão registrado no ano anterior.
As despesas do governo cresceram cerca de 6%, para US$ 7,4 trilhões, enquanto as receitas aumentaram 3%, para US$ 5,4 trilhões. O resultado mantém o déficit pelo quarto ano consecutivo próximo de US$ 2 trilhões e equivale a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB).
O aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro e o crescimento da dívida pública elevaram as despesas líquidas com juros em US$ 81,4 bilhões. O gasto atingiu o recorde de US$ 1,05 trilhão e está entre as três maiores despesas do governo.
A Previdência Social foi a maior despesa federal, com desembolsos de US$ 1,67 trilhão, alta de US$ 86,4 bilhões. Os gastos com o Medicare, programa público de saúde voltado principalmente para idosos, cresceram US$ 76 bilhões e chegaram a US$ 1,07 trilhão.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, apontou os reembolsos de tarifas de importação como um dos fatores do aumento do déficit. Os pagamentos estão relacionados à decisão da Suprema Corte, em fevereiro, que invalidou a maior parte dos aumentos tarifários impostos pelo presidente Donald Trump em seu segundo mandato.
Bessent afirmou que os Estados Unidos podem reduzir rapidamente o crescimento da dívida, principalmente com uma expansão econômica sustentada e ganhos de produtividade associados à inteligência artificial. Economistas, investidores e autoridades demonstraram ceticismo em relação à possibilidade de o crescimento, sozinho, estabilizar a dívida.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou em 14 de outubro que o crescimento ajuda, mas não permite fazer os ajustes necessários com a rapidez exigida. O diretor do Escritório de Orçamento do Congresso, Phillip Swagel, disse em 8 de outubro que não era plausível estabilizar a dívida dos Estados Unidos apenas por meio do crescimento.
Fonte: O Globo