Apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro organizaram carreatas, buzinaços e outros atos virtuais no Roblox ao longo de outubro, em manifestações que reproduzem elementos de campanhas eleitorais no ambiente digital.
As mobilizações ocorrem principalmente no Brookhaven, uma cidade virtual da plataforma. Os participantes usam avatares, carros, bandeiras, cartazes e cores associadas aos candidatos. Grupos no Instagram e no WhatsApp divulgam horários, links e instruções para acessar os servidores dos eventos.
Nos atos favoráveis a Lula, predominam personagens e mensagens em vermelho, além de placas de apoio ao presidente. Em uma manifestação realizada em 15 de outubro, um usuário exibiu um cartaz com a frase “Obrigada pelo fim da 6×1!”.
Também foram registrados encontros em apoio a Flávio Bolsonaro, com avatares vestidos de verde e amarelo, bandeiras do Brasil e mensagens como “é 22”. As convocações incluem ainda os chamados “bloquinhos do 22” e referências a artistas como Renato Russo e Kurt Cobain, que morreram em 1996 e 1994, respectivamente.
O Brookhaven reúne jogadores em diferentes servidores, com capacidade de até 30 usuários cada, segundo a página oficial da experiência. Por isso, nem todos os participantes encontrados em uma cidade virtual integram os atos políticos, e a localização das manifestações pode variar.
As regras da comunidade do Roblox proíbem conteúdos relacionados a autoridades públicas, candidatos, partidos, slogans, materiais de campanha, comícios e eventos eleitorais. Procurada, a empresa afirmou que permite debates cordiais sobre temas sociais e políticos, mas mantém a proibição de representações de figuras e entidades políticas e de materiais de campanha.
A legislação eleitoral brasileira não estabelece uma proibição específica para manifestações políticas dentro de jogos on-line. A Resolução TSE nº 23.610/2019 permite propaganda eleitoral na internet a partir de 16 de agosto do ano eleitoral e protege manifestações de eleitores, desde que sejam respeitados os limites legais.
Fonte: g1