Associações de restaurantes, hospitais, indústria, comércio e serviços começaram a articular propostas para adaptar as jornadas de trabalho após a aprovação do fim da escala 6x1 e a redução da jornada para 40 horas semanais.
As entidades buscam reduzir impactos sobre custos e preservar a operação das empresas. Também pretendem apresentar sugestões ao Executivo e ao Congresso para ampliar a segurança jurídica durante a transição.
A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) avalia combinar jornadas de 36 horas semanais com escalas 5x2, além de distribuir os horários de entrada e saída conforme os períodos de maior movimento. O presidente executivo da entidade, Fernando Blower, afirmou que a associação pretende compartilhar experiências e incentivar alternativas como o trabalho por hora.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) informou que acompanhará a regulamentação das medidas previstas na PEC e levará propostas ao governo e ao Congresso. A entidade também oferecerá orientação técnica para negociações coletivas e estudará efeitos sobre custos, produtividade, competitividade e empregos, especialmente em micro e pequenas empresas.
No setor hospitalar, a Associação dos Hospitais do Estado de São Paulo (Ahosp) chamou atenção para a escala 12x36, usada em unidades que funcionam 24 horas. Segundo a entidade, hospitais, organizações sociais e gestores públicos devem mapear jornadas, calcular impactos financeiros e revisar contratos para adequar as escalas sem comprometer o atendimento.
O Instituto Foodservice Brasil (IFB) informou que 9% das empresas do segmento já decidiram como farão a adaptação, enquanto 64% devem tomar a decisão em 2027. A entidade teme que um prazo curto leve à redução do horário de funcionamento, à substituição de trabalhadores por tecnologia e ao repasse de custos aos consumidores.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recomenda que as empresas antecipem a revisão das escalas, contratos e acordos coletivos. A entidade também orienta a negociação de aditivos para readequar o trabalho aos domingos e feriados.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defende jornadas diferenciadas para operações contínuas e serviços como transporte público, abastecimento de água, energia e coleta de lixo. A entidade orienta as empresas a levantar escalas e instrumentos coletivos, revisar contratos terceirizados e elaborar planos de adaptação.
O consultor trabalhista Guilherme Wünsch avalia que a regulamentação deve prever regras específicas para hospitais, serviços essenciais, transporte e atividades industriais ininterruptas, sem afastar a nova jornada. Ele também defende medidas de transição para acordos vigentes e apoio a micro e pequenas empresas.
Fonte: O Globo