O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15), no Rio de Janeiro, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Canella é apontado como articulador político de uma organização criminosa que usaria postos de combustíveis para lavar dinheiro. A investigação afirma que ele faria a ligação entre agentes públicos, empresários e operadores do grupo, além de influenciar nomeações e contratações públicas.
A Procuradoria-Geral da República também descreve o deputado como elo entre o poder público e os demais investigados. Para os investigadores, essa atuação teria contribuído para proteger as atividades do grupo e facilitar a movimentação e a ocultação de recursos.
Em buscas realizadas em julho, a PF encontrou anotações na casa do inspetor José Carlos Alves de Souza Júnior com registros de valores destinados a pessoas identificadas como “Canela”, “JR” e “PR”. Os investigadores atribuíram o primeiro codinome a Canella e apontaram repasses de R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil, este último associado à identificação “Amigo”.
A análise financeira citada na investigação identificou cerca de R$ 2,59 milhões em créditos nas contas de Canella entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, aproximadamente R$ 1,4 milhão teria sido transferido pela Brumar Empreendimentos e Participações, empresa da qual o político era sócio.
A PF também apura a atuação de Canella na indicação de Marcus Amim para cargos de comando no Detran-RJ e na Polícia Civil. De acordo com a investigação, o deputado teria articulado uma mudança legislativa na Assembleia Legislativa do Rio para flexibilizar os requisitos de carreira exigidos para a chefia da Polícia Civil.
Amim foi preso na mesma operação, junto com quatro inspetores da Polícia Civil. A PF afirma que uma consultoria ligada ao delegado e à mulher dele recebeu R$ 1,821 milhão de uma empresa investigada, em pagamentos mensais de aproximadamente R$ 70 mil.
A investigação também menciona supostas conexões políticas com milícias e com o Comando Vermelho. Em relação ao tráfico, o relatório cita áudios sobre uma negociação entre um capitão da Polícia Militar e líderes do Comando Vermelho para a retirada de barricadas em Belford Roxo, mas não aponta conversa direta de Canella com os criminosos.
Os investigadores ainda citam a nomeação da mulher de Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura e apontado como liderança miliciana, para um cargo no gabinete de Canella na Assembleia Legislativa. As relações são tratadas como elementos de contexto da apuração, e não como condenações judiciais.
Canella já havia sido preso em julho, após a PF encontrar um fuzil em seu veículo durante uma fase anterior da operação. Ele foi solto por decisão de Moraes e teve as medidas cautelares revogadas posteriormente.
A defesa de Canella informou que não se manifestará até ter acesso aos autos. A defesa de Marcus Amim adotou a mesma posição. As acusações ainda são investigadas e não representam condenação definitiva.
Fonte: g1