Na segunda semana após o primeiro turno, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ganhou impulso nas ruas e nas redes sociais, enquanto Flávio Bolsonaro continuou à frente nas pesquisas, segundo análise publicada por O Globo. A disputa entra agora na fase final, marcada por entrevistas e debates entre os candidatos.
Lula retomou o comando da agenda eleitoral após ajustes internos na campanha. A promulgação do fim da escala 6x1, na sexta-feira, foi acompanhada por uma imagem do presidente segurando um exemplar da Constituição.
Na agenda de propostas, o presidente lançou medidas voltadas aos Microempreendedores Individuais (MEIs), aprovadas pelo Congresso com apoio dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. A campanha também pressionou o setor de combustíveis a repassar a desoneração anunciada na semana anterior.
Os petistas passaram a explorar o tema fiscal para pressionar Flávio Bolsonaro. A campanha de Lula acusa o adversário de preparar cortes que poderiam afetar trabalhadores e pessoas de baixa renda, em referência à sinalização de redução de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas no primeiro ano de governo e à proximidade com o presidente argentino Javier Milei.
Aliados de Flávio contestam a acusação de que os cortes atingiriam programas sociais, mas ainda não detalharam como pretendem alcançar a economia anunciada. A campanha afirma que não reduzirá programas sociais e promete aumento real do salário mínimo, sem apresentar um percentual ou formato definido.
Segundo a análise, setores bolsonaristas reconhecem que os últimos dias foram mais favoráveis a Lula, mas avaliam que o movimento decorre principalmente da agenda negativa e não teria reduzido a rejeição ao presidente. O Datafolha registrou queda de Flávio de 49% para 47% nas intenções de voto, enquanto Lula permaneceu em 45%.
Interlocutores de Flávio ressaltam que ele continua numericamente à frente na maioria dos levantamentos e esperam que atos de rua, especialmente na Avenida Paulista, alterem o cenário. A campanha também terá pela frente entrevistas ao Jornal Nacional e debates na Band e na Globo.
Fonte: O Globo