O influenciador Mateus Fernandes, de 26 anos, registrou um boletim de ocorrência em São Paulo após receber ameaças de morte, tortura e exposição do endereço residencial nas redes sociais. Segundo ele, os ataques começaram depois que declarou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e passou a publicar conteúdos políticos após o primeiro turno das eleições.
Fernandes procurou a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), acompanhado por advogados. O caso também foi encaminhado à Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), e a defesa pediu que o Ministério Público de São Paulo investigue os ataques.
De acordo com o influenciador, perfis que usavam imagens da bandeira do Brasil, referências religiosas ou não tinham foto publicavam mensagens em sequência e depois apagavam os conteúdos ou desativavam as contas. Ele afirma ter reunido capturas de tela com ameaças de morte, tortura, esquartejamento, ofensas raciais e ataques à sua religião.
Fernandes relatou ainda que deixou de voltar para casa e passou a se abrigar na residência de amigos por medo de que as ameaças atingissem seus familiares. Ele também associou a exposição do endereço a crises de ansiedade e outros problemas de saúde.
O influenciador é fundador do InfoPerifa, iniciativa voltada ao combate à desinformação climática e à discussão de temas raciais, ambientais e territoriais nas periferias. Ele também participou da formação de uma rede com cerca de 500 criadores de conteúdo de periferia em uma campanha de mobilização eleitoral favorável a Lula.
Segundo Fernandes, seus conteúdos passaram de cerca de 2 milhões para mais de 9 milhões de acessos mensais após a campanha. A defesa descreveu os ataques como uma ação coordenada e mencionou possíveis crimes de racismo, intolerância religiosa e apologia ao nazismo, mas a existência de uma organização por trás das mensagens ainda depende de investigação.
Outro criador de conteúdo, o modelo Vitor Maccla, afirmou ter recebido insultos, mensagens violentas e desejos de morte depois de declarar voto nas redes sociais. Fundador de uma instituição voltada a pessoas com vitiligo, ele disse que as agressões também tentaram desqualificar seu trabalho na área.
Até a última atualização da reportagem original, a Secretaria da Segurança Pública e o Ministério Público de São Paulo não haviam respondido aos pedidos de manifestação.
Fonte: g1