O déficit do orçamento federal dos Estados Unidos chegou a US$ 1,99 trilhão no ano fiscal encerrado em setembro de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento do Tesouro. O valor representa alta de aproximadamente 12% em relação ao rombo de US$ 1,78 trilhão registrado no ano anterior.
As despesas do governo cresceram cerca de 6%, para US$ 7,4 trilhões, enquanto as receitas avançaram 3%, para US$ 5,4 trilhões. Este é o quarto ano consecutivo em que o déficit se aproxima de US$ 2 trilhões.
Os juros da dívida pública foram um dos principais fatores para a ampliação do rombo. As despesas líquidas com juros aumentaram US$ 81,4 bilhões e atingiram o recorde de US$ 1,05 trilhão.
O serviço da dívida ficou entre as três maiores despesas do governo. Os gastos com a Previdência Social cresceram US$ 86,4 bilhões, para US$ 1,67 trilhão, enquanto as despesas com o Medicare subiram US$ 76 bilhões, para US$ 1,07 trilhão.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, apontou os reembolsos de tarifas de importação como um dos principais fatores para o aumento do déficit. Os pagamentos estão relacionados à decisão da Suprema Corte, em fevereiro, que invalidou a maior parte dos aumentos tarifários impostos pelo presidente Donald Trump em seu segundo mandato.
O déficit correspondeu a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual considerado elevado para um período de desemprego relativamente baixo. A redução registrada oficialmente no ano anterior ocorreu após o Tesouro contabilizar como diminuição de gastos uma mudança nos limites dos empréstimos estudantis prevista em uma lei tributária republicana de 2025.
Bessent afirmou que os Estados Unidos podem reduzir rapidamente o ritmo de crescimento da dívida, principalmente com uma expansão econômica sustentada e ganhos de produtividade associados à inteligência artificial. Economistas, investidores e integrantes do governo, porém, demonstraram ceticismo em relação a essa avaliação.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse em 14 de outubro que o crescimento econômico não conseguiria produzir, com a rapidez necessária, os ajustes exigidos. No mesmo dia, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que o déficit dos Estados Unidos precisa ser enfrentado.
David Zervos, recentemente nomeado assessor de Bessent, contestou a avaliação de Georgieva em comentários à CNBC. Já o diretor do Escritório de Orçamento do Congresso, Phillip Swagel, afirmou em 8 de outubro que não era plausível que o crescimento, por si só, estabilizasse os níveis da dívida americana.
Fonte: O Globo