O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, em Londres, o fim da pausa nos ataques aéreos contra instalações do setor energético da Rússia. A decisão contraria a trégua negociada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"A restrição acabou. Chega", afirmou Zelensky em entrevista ao Financial Times. O anúncio ocorreu enquanto autoridades russas relatavam um ataque contra uma refinaria na região de Ryazan, a cerca de 180 quilômetros ao sul de Moscou.
O governo regional informou que a ofensiva ocorreu entre a noite de quarta-feira e a manhã de quinta-feira e envolveu 69 drones e quatro mísseis de cruzeiro. O Ministério da Defesa russo disse que o incêndio começou após a queda de destroços de alvos abatidos pelas defesas antiaéreas, sem confirmar um impacto direto na refinaria.
A Rússia não confirmou a adesão à trégua energética e continuou a realizar ataques contra instalações ucranianas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou Kiev de prejudicar os esforços de paz conduzidos pelos Estados Unidos.
Trump havia anunciado no domingo um cessar-fogo limitado contra infraestruturas de energia, além de um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para liberar a venda de diesel no mercado global. Moscou não confirmou o entendimento sobre a trégua.
Na quarta-feira, Zelensky afirmou que as capacidades defensivas ucranianas foram afetadas por alterações no sistema Starshield, constelação de satélites Starlink usada militarmente e fornecida pela SpaceX, empresa de Elon Musk. O presidente ucraniano também disse que Kiev não recebeu alerta prévio sobre a chegada de projéteis russos.
Musk declarou que o Starshield pertence ao governo dos Estados Unidos e está sob controle americano. Na rede social X, o bilionário defendeu a saída de Zelensky da Presidência da Ucrânia.
Negociadores ucranianos disseram que mensagens de enviados americanos indicaram a possibilidade de interrupção da cooperação de inteligência com Kiev. Uma fonte do governo dos Estados Unidos ouvida pelo New York Times negou que tenha havido ameaça nesse sentido ou mudança na relação com a Ucrânia.
Parlamentares democratas americanos criticaram as restrições de acesso da Ucrânia às redes via satélite. A senadora Jeanne Shaheen afirmou que o Pentágono deve informar o Congresso caso suspenda ou reduza o compartilhamento de informações com Kiev.
Fonte: O Globo