O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta quinta-feira (15) o fim da pausa nos ataques contra instalações energéticas russas. A declaração foi dada em entrevista ao Financial Times, em Londres, em meio à pressão dos Estados Unidos por um cessar-fogo limitado e às acusações de Kiev de que Washington estaria reduzindo o apoio ao país.
"A restrição [de ataques às instalações energéticas russas] acabou. Chega", afirmou Zelensky. O anúncio ocorreu enquanto autoridades russas acusavam a Ucrânia de realizar um ataque com drones e mísseis contra uma refinaria na região de Ryazan, a cerca de 180 quilômetros ao sul de Moscou.
Segundo o governo regional, a ofensiva ocorreu entre a noite de quarta-feira e a manhã de quinta-feira e envolveu 69 drones e quatro mísseis de cruzeiro. O Ministério da Defesa da Rússia disse que o incêndio na refinaria foi provocado pela queda de destroços de drones abatidos pela defesa antiaérea, sem confirmar um impacto direto.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os ataques ucranianos entram em conflito com os esforços de paz dos Estados Unidos. Moscou não confirmou a adesão à trégua anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, e continuou a realizar ataques contra instalações ucranianas.
Zelensky também criticou os Estados Unidos por supostas restrições ao uso militar dos terminais de satélite fornecidos pela SpaceX, empresa de Elon Musk. O presidente ucraniano afirmou que uma instabilidade no sistema Starshield, usado pelas Forças Armadas americanas e compartilhado com a Ucrânia, coincidiu com um ataque russo e teria comprometido as capacidades defensivas do país.
Musk, que comanda a SpaceX, negou que a empresa tenha controle sobre o Starshield e disse que eventuais limitações de uso são decididas pelo Exército dos Estados Unidos. Na rede social X, o bilionário escreveu que "é hora de Zelensky ir embora".
Negociadores ucranianos disseram que enviados americanos teriam indicado, em uma reunião no fim de semana, a possibilidade de encerramento da cooperação em inteligência. Uma fonte do governo dos Estados Unidos ouvida pelo New York Times negou qualquer ameaça nesse sentido e afirmou que não houve mudança confirmada no compartilhamento de informações com a Ucrânia.
Fonte: O Globo