Milhares de pessoas participaram de protestos contra o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, na quarta-feira, 14 de outubro, em cidades do país. Em Bogotá, a marcha durou mais de cinco horas e terminou sem incidentes relevantes, segundo o jornal El País.
As manifestações representaram o primeiro grande teste de mobilização da esquerda desde a derrota eleitoral para De la Espriella, político de direita e aliado declarado dos Estados Unidos. A oposição temia uma baixa adesão por causa das ameaças do governo de endurecer a atuação policial e da violência registrada nos protestos de 2021.
Poucas horas antes dos atos, o presidente assinou um decreto que alterou o protocolo de resposta das autoridades às manifestações. A medida aumentou o receio de confrontos, mas, de acordo com o El País, a presença de policiais uniformizados foi reduzida ao longo do percurso em Bogotá.
Professores, estudantes de universidades públicas, aposentados, funcionários públicos, indígenas e feministas participaram das mobilizações. Muitos manifestantes usaram camisetas com a bandeira da Palestina e criticaram a aproximação do governo colombiano com Israel e com Washington.
O senador Iván Cepeda, apontado como possível sucessor político do ex-presidente Gustavo Petro, liderou parte da marcha em Bogotá e foi recebido por apoiadores que gritavam “presidente”. Petro também esteve na Praça de Bolívar, no encerramento do trajeto, mas deixou o local durante uma chuva de granizo sem discursar.
Senadores, sindicalistas e representantes de movimentos sociais se revezaram ao microfone. A mobilização não teve uma liderança única, e Cepeda resumiu a principal palavra de ordem como “todos contra De la Espriella”.
Durante os atos, líderes sociais discutiram a possibilidade de convocar uma greve nacional em 14 de novembro. A realização ainda é incerta, mas os protestos foram apresentados por participantes como um possível início de novas mobilizações.
A esquerda tenta transformar a demonstração de força nas ruas em uma estratégia política comum. Petro mantém influência sobre o campo progressista, enquanto Cepeda defende a organização de uma oposição que, segundo ele, recebeu quase 13 milhões de votos.
Fonte: O Globo