Milhares de pessoas foram às ruas em Bogotá e em outras cidades da Colômbia na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, para protestar contra o presidente Abelardo de la Espriella, em uma mobilização da esquerda que, segundo o jornal El País, superou as expectativas e ocorreu sem incidentes relevantes.
Os atos representaram o primeiro teste de mobilização da oposição desde que a esquerda perdeu a eleição presidencial para De la Espriella, político de direita e aliado declarado dos Estados Unidos. A capacidade de convocação do campo progressista era incerta diante do temor de repressão e da lembrança da violência policial registrada nos protestos de 2021.
Poucas horas antes das manifestações, o presidente havia aprovado por decreto um protocolo mais rigoroso para a atuação das autoridades durante protestos. A medida alimentou o receio de confrontos, mas não impediu a participação popular.
Em Bogotá, a marcha durou mais de cinco horas, sob chuva, granizo e períodos de sol. De acordo com o El País, a presença de policiais uniformizados foi reduzida ao longo do percurso, e até manifestantes encapuzados participaram do ato.
A mobilização reuniu professores, estudantes de universidades públicas, aposentados, funcionários públicos, indígenas e feministas. Muitos participantes usaram camisetas com a bandeira da Palestina e criticaram a aproximação do governo colombiano com Israel e Washington.
O senador Iván Cepeda, apontado como possível sucessor político de Gustavo Petro, liderou parte da marcha em Bogotá e foi recebido por apoiadores que gritavam “presidente”. Petro também esteve na Praça de Bolívar, no encerramento do trajeto, mas deixou o local durante uma forte chuva de granizo sem discursar.
Os discursos defenderam uma articulação ampla da oposição. Cepeda afirmou que a principal palavra de ordem era “todos contra De la Espriella” e rejeitou a possibilidade de uma atuação separada de Petro, embora os dois não tenham se reunido durante o ato.
Líderes sociais discutem a convocação de uma greve nacional para 14 de novembro. A realização do movimento ainda é incerta, mas os organizadores apresentaram os protestos de quarta-feira como um possível início de novas mobilizações.
Para o El País, o desafio da esquerda é transformar a demonstração de força nas ruas em uma estratégia política comum e em um contraponto efetivo ao governo. Petro mantém influência sobre o campo progressista, enquanto Cepeda reivindica o respaldo de uma oposição que, segundo ele, obteve quase 13 milhões de votos.
Fonte: O Globo