A Polícia Federal investiga dois policiais civis suspeitos de comprar postos de combustíveis de forma parcelada, interromper os pagamentos e ameaçar vendedores para manter o controle dos estabelecimentos. O caso integra a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (15) no Rio de Janeiro.
Segundo depoimento obtido pela PF, José Carlos Alves de Souza Júnior, conhecido como Júnior ou JR, e Pablo Jukiá Felix Ferreira, o Pablo Russo, administravam de fato postos registrados formalmente em nome de outras pessoas. Um ex-sócio afirmou que foi ameaçado ao tentar recuperar valores investidos no negócio.
O depoente também relatou que assinou documentos para deixar a sociedade, mas a alteração não foi registrada na Junta Comercial. De acordo com ele, foi necessário recorrer à Justiça para formalizar o desligamento da empresa.
A investigação aponta que os dois policiais usavam terceiros para ocultar o controle de empresas e estabelecimentos. José Carlos é apontado como responsável pela gestão operacional e financeira do grupo, enquanto Pablo Russo teria atuado no controle econômico de uma rede de postos formalmente registrada em nome de familiares e sócias.
O ex-sócio disse ainda que passou a sofrer fiscalizações de órgãos fazendários, ambientais e de defesa do consumidor quando cobrava os valores que considerava devidos. A PF apura se essas ações tiveram relação com a estrutura de proteção institucional investigada.
A Operação Unha e Carne investiga uma organização criminosa suspeita de usar postos de combustíveis para lavar dinheiro, além de apurar possíveis crimes de corrupção, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. Relatório de inteligência financeira do Coaf aponta movimentação superior a R$ 7,6 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026.
Na oitava fase, foram cumpridos seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas.
Entre os presos estão Márcio Canella, deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Conforme a PF, Canella teria atuado na articulação política do grupo, enquanto Amim é investigado por supostamente usar cargos ocupados no Detran-RJ e na cúpula da Polícia Civil para oferecer proteção institucional. As suspeitas ainda são investigadas e não representam condenação.
Canella afirmou que confia em Deus e na Justiça e que os fatos serão esclarecidos. A defesa de Amim informou que aguardava acesso à íntegra da decisão judicial para se manifestar.
Fonte: g1