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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

SEGURANÇA

PF investiga calote e ameaças em compra de postos de combustíveis no RJ

PF investiga policiais por suposto calote e ameaças em negócios de postos de combustíveis na Operação Unha e Carne.

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A Polícia Federal investiga a suspeita de que policiais civis compravam postos de combustíveis de forma parcelada, interrompiam os pagamentos e ameaçavam os vendedores para manter o controle dos estabelecimentos. O caso integra a Operação Unha e Carne 8, que prendeu nesta quinta-feira, 15 de outubro, o deputado estadual eleito Márcio Canella e o delegado Marcus Amim, no Rio de Janeiro.

Segundo depoimento obtido pela PF, José Carlos Alves de Souza Júnior, conhecido como Júnior, e Pablo Jukiá Felix Ferreira, o Pablo Russo, administravam efetivamente postos registrados formalmente em nome de outras pessoas. Um ex-sócio relatou que foi ameaçado ao tentar recuperar o dinheiro investido e precisou recorrer à Justiça para formalizar sua saída da sociedade.

A investigação aponta que os dois policiais utilizavam terceiros para ocultar o controle de empresas e estabelecimentos. José Carlos é apontado como responsável pela gestão operacional e financeira do grupo, enquanto Pablo Russo seria um dos operadores econômicos da rede de postos.

De acordo com a PF, Canella atuava na articulação política do grupo, e Marcus Amim teria usado cargos ocupados no Detran-RJ e na Secretaria Estadual de Polícia Civil para garantir proteção institucional às atividades investigadas. Os dois são tratados pela investigação como integrantes do núcleo político e de proteção da organização.

O ex-sócio também afirmou que, após cobrar valores que considerava devidos, passou a ser alvo de fiscalizações de órgãos fazendários, ambientais e de defesa do consumidor. A PF apura se essas ações foram usadas como forma de pressão.

A Operação Unha e Carne investiga uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos no Grande Rio e na Região dos Lagos. Segundo relatório de inteligência financeira do Coaf, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026.

Na oitava fase, a Justiça autorizou seis prisões, 16 mandados de busca e apreensão, o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas. A apuração também envolve suspeitas de corrupção, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

Canella declarou que confia em Deus e na Justiça e que os fatos serão esclarecidos. A defesa de Marcus Amim informou que aguardava acesso à íntegra da decisão judicial para se manifestar.

Fonte: g1

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