Dirigentes do futebol europeu articulam o lançamento de um candidato para enfrentar Gianni Infantino na eleição presidencial da Fifa, marcada para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos. O prazo para registro das candidaturas termina em 18 de novembro.
Segundo fontes ouvidas pelo jornal britânico The Guardian, a oposição pretende anunciar o nome apenas perto do fim do período de inscrições. A estratégia, de acordo com os relatos, seria reduzir o tempo para uma eventual reação da Fifa.
Uefa, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) se opõem à reeleição de Infantino, que busca um quarto mandato. Os presidentes das três entidades, Aleksander Ceferin, Victor Montagliani e Salman bin Ibrahim al-Khalifa, respectivamente, descartaram disputar a presidência.
Os dirigentes ainda não chegaram a um consenso sobre o candidato. O ex-técnico Arsène Wenger e a empresária Michele Kang foram cogitados, mas as possibilidades teriam sido descartadas, segundo o jornal. O ex-jogador português Luís Figo também é mencionado, embora seja apontado como possível candidato à presidência da Uefa quando Ceferin deixar o cargo, em 2031.
A crise entre a Fifa e parte das confederações se intensificou após a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), estrutura comercial que permitiria vender a investidores privados participações em direitos ligados às competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. O projeto foi abandonado em julho após reações contrárias de dirigentes e associações nacionais.
A Uefa pediu acesso a documentos sobre a iniciativa e levantou questionamentos sobre a gestão financeira da Fifa. A entidade presidida por Infantino acusou dirigentes europeus de promover uma campanha de desinformação contra o dirigente.
Infantino ainda mantém apoio em outras regiões. A Confederação Africana de Futebol (CAF), por exemplo, declarou respaldo à sua reeleição.
O tema está entre os assuntos previstos para a reunião do Conselho da Fifa, formado por 37 integrantes, nesta quinta-feira (15), em Zurique, na Suíça. Infantino deve ser questionado sobre o projeto comercial, a concessão do prêmio da paz da entidade ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a revisão de uma punição aplicada ao atacante americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo.
Segundo o relato do The Guardian, o comitê disciplinar da Fifa havia suspendido Balogun, mas a punição foi revogada durante o Mundial após uma intervenção de Trump. O episódio gerou questionamentos sobre a independência das decisões disciplinares da entidade.
Para se antecipar às críticas, Infantino propôs alterar as regras para retirar do comitê disciplinar a possibilidade de revogar suspensões de uma partida aplicadas a jogadores expulsos diretamente com cartão vermelho. Ele também prometeu apresentar ao Conselho um relatório completo sobre a Fifa Forward Enterprise, documento que, segundo o jornal, não havia sido compartilhado previamente com os integrantes do colegiado.
Infantino anunciou em maio que disputaria a eleição de 2027 e confirmou em setembro a intenção de buscar a reeleição. Até o momento, a oposição não apresentou um nome capaz de reunir o apoio necessário para desafiar o atual presidente.
Fonte: O Globo