O diagnóstico de autismo dos filhos levou mães em Teresina, no Piauí, a reorganizar a vida profissional para acompanhar terapias, consultas e cuidados diários. A situação foi mostrada em reportagem da TV Clube exibida nesta quarta-feira (14).
A advogada e empreendedora Alicianni Moraes contou que deixou o emprego anterior depois que o filho, João, foi diagnosticado com autismo aos 2 anos. Segundo ela, a rotina de acompanhamento e a necessidade de continuar os estímulos em casa tornaram difícil cumprir a jornada de trabalho.
Para conciliar os cuidados com o filho e a carreira, Alicianni passou a produzir doces. Ela afirmou que já gostava de cozinhar e encontrou na atividade uma forma de trabalhar dentro dos horários disponíveis na rotina da criança.
A empresária Deyse Medeiros, que também é mãe de uma criança com transtorno do espectro autista (TEA), relatou experiência semelhante. De acordo com a reportagem, as demandas de acompanhamento terapêutico dificultaram sua permanência em um emprego formal e contribuíram para que investisse no próprio negócio.
Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Fesa Group, realizada entre janeiro e fevereiro de 2026, apontou que 59,1% das executivas que são mães relataram impactos negativos na carreira depois do nascimento dos filhos.
Segundo a advogada Bárbara Santana, a legislação brasileira prevê direitos para mulheres durante a gestação e após o nascimento dos filhos, incluindo proteção contra dispensa sem justa causa no período de estabilidade, intervalos para amamentação e possibilidade de acompanhamento de consultas relacionadas à gravidez.
A orientação dada pela advogada para casos de suspeita de discriminação é reunir documentos que possam comprovar a situação e buscar orientação jurídica. As consequências dependem da apuração e das circunstâncias de cada caso.
Fonte: g1 Piauí